sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A covid-19 e a guerra provocam fome em países pobres

Foto - UNICEF/Somália

Os dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PAM) e Organização Mundial do Comércio (OMC) emitiram uma declaração conjunta à comunidade internacional sobre a segurança alimentar mundial. Os estudos demonstram que à pandemia de COVID-19, que já entra em seu 3º ano e mais as consequências da guerra na Ucrânia. Estão refletindo na elevação de preços dos produtos básicos e gerando uma escassez de oferta. Consequentemente, aumentam a pressão nas famílias em todo o mundo e empurram outros milhões para a pobreza.

O cenário crítico é maior nos países mais pobres, que possuem como característica a importação dos alimentos consumidos pelas populações. A ameaça também acelera nos países de renda média, que abrigam a maioria dos pobres do mundo. As estimativas do Banco Mundial alertam que para cada aumento de 1 ponto percentual nos preços dos alimentos, 10 milhões de pessoas são lançadas na extrema pobreza em todo o mundo. Um insumo essencial na produção de alimentos é o gás natural, que é utilizado na preparação dos fertilizantes nitrogenados.

Com a elevação no preço do gás, os custos dos fertilizantes afetam toda a produção global de alimentos, incluindo os principais países produtores e exportadores, que dependem fortemente das importações de fertilizantes, que é o caso do Brasil. O aumento dos preços nos alimentos e os choques de oferta podem acentuar as tensões sociais em muitos dos países afetados. Essas organizações estão adotando ações coordenadas de urgência, que vão desde o fornecimento de alimentos, apoio financeiro, aumento da produção agrícola e livre comércio.

E fazem um apelo para evitarem medidas restritivas, como as proibições de exportação de alimentos ou fertilizantes, que agravam ainda mais o sofrimento das pessoas mais pobres. E concluo que este cenário pode favorecer a ampliação da participação do Brasil no fornecimento mundial de alimentos, desde que tenha um alinhamento entre o governo, o agronegócio e agentes financeiros. Também sugiro ao governo, analisar a possibilidade de zerar as tarifas de importações de equipamentos agrícolas e industriais para acelerar os investimentos e produtividade. Além disso, aproveitar o preço favorável do dólar.

Wagner Matos – economista

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