quarta-feira, 20 janeiro, 2021
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A guerra dos fanáticos só precisava de uma faca e ela apareceu

A guerra de fanáticos…

… Só precisava de uma faca. Eis que faca apareceu.

Diz-se que o PT e o anti-petismo estão apostando em um cadáver. Desconfia-se que preferencialmente querem o cadáver da democracia. De um lado, um aposta na tragédia como forma de ressurgir como credibilidade; do outro lado, a maneira de se justificar e ter sua causa legitimada. Nada mais que um desatino irresponsável e a inconsequência como ofício.

O PT, infelizmente, fixou seu discurso sobre um golpe e parece que ao reafirmar isso continuadamente, revela que quer um golpe. Mas parece que o anti-petismo, desejoso por intervenção militar, começar a perceber que um golpe torna verdade o discurso do PT e o favorece como opositor ao golpe.

Quem colocou Bolsonaro sob os holofotes?

Bolsonaro saiu da sua insignificância pela incapacidade do PT de reconhecer erros e mudar o curso de suas ações quando estava a frente do poder. Ao invés de ritualizar a culpa e apresentar humildade, apostou cegamente no enfrentamento sistemático, com ataques personificados a Bolsonaros, Felicianos e etc. Além de ataques, buscou a racionalizar todos os seus atos como corretos e isentos de qualquer culpa ou pena.

O discurso hiperdimensionou a relativização dos seus atos. Passou a trabalhar com uma ideologia de infalibilidade absoluta. Postou-se como portador de uma verdade absoluta e uma vítima universal. O mundo que existe é só o mundo que cabe no seu ponto de vista defensivo. Só o PT pode conhecer a realidade de forma infalível, conjugada a uma crença de onipotência.

Com isso, o caldo do fanatismo, da falta de tolerância e o culto ao personalismo engrossou violentamente. A consequência foi o banimento do foco em programas e propostas que deram lugar ao culto ao herói, ao messias e às teorias conspiratórias. Preponderando uma dinâmica de esvaziamento do espaço público do seu elemento crucial: a Política (no que pode ter de mais humanizador).

O messias, e o culto a sua personalidade, fixou, como combustível de autor reprodução, o destemperamento e a impulsividade. O lulismo é um fato indiscutível; a preferência por Lula, não programática e nem partidária, mas pessoal/afetiva. Já o Bolsonaro passou a brilhar como o farol dos setores mais insatisfeitos e os mais anti-esquerda do país, que acharam nele a personagem ideal para fazer ecoar sua fúria. Assim brotou um espaço de batalha sobre o vazio programático, de projetos e de responsabilidades públicas.

Nada faz mais sentido em termos de ideias de construção de bem estar social e defesa dos interesses nacionais, tudo está resumido a quem gosta e a quem odeia essa ou aquela facção.

Fanáticos agem sem medir consequências, pois, para além do seu mundo fechado de certezas e coerências artificiais nada vale e presta.

A partir dessa rigidez e fechamento do pensar tudo começa a ganhar forma através de uma lógica de horrores e tragédias.

O que vai ser do Brasil diante de tantos agressores?

Por Francisco Araújo – cientista político

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