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Cidades

A promessa da reforma do Mercado Central é consumida pelos anos

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Quase todas as capitais brasileiras tem o seu tradicional mercado central. E no domingo como este aproveitam para fazer compras, tomar um cafezinho, almoçar, marcar encontros e fazer uma boa programação dominical. Em São Luís temos também o histórico e tradicional Mercado Central, situado entre a Avenida Magalhães de Almeida  e Guaxenduba. O mercado foi entregue a população no dia 12 de maio de 1941 durante o governo de Getúlio Vargas, pelo interventor Paulo Ramos.

Após 77 anos o local ainda preserva tradições e histórias, mas perdeu sua beleza com os maus tratos do poder público que, há  anos promete uma reforma que fica só na macete. Quem o visita se depara com sujeiras, esgoto a céu aberto, mau odor, fiação elétrica exposta, grades enferrujadas, teto danificado, desorganização, entre outros problemas.

O atual perfil estrutural do Mercado Central afasta cada vez mais os consumidores e os turistas que a exemplo de outras capitais vêm em busca de explorar a culinária, os produtos regionais  e as tradições da velha São Luís. Enquanto isso, há um projeto de revitalização do local, orçado em R$ 8,8 milhões, mas que ainda não saiu do papel.

Outro problema que afasta mais a clientela que vão de carro em uma cidade que o trânsito se torna cada dia mais caótico  é a  falta de estacionamento. As vias de acesso ao centro popular de compras estão dominadas por flanelinhas que determinam o  preço e privatizam quase todas as vias, foram isso a desorganização entre carros e motos atrapalham a locomoção dos clientes para as portarias do mercado.

A promessa de reforma é consumida pelos anos mesmo. Ela estava ou ainda está  prevista no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC Cidades Histórica. A obra estava orçada em R$ 8,8 milhões e prevista para acontecer ainda no primeiro semestre de 2017. Já estamos no segundo semestre de 2018.

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa), informou que a reforma completa do Mercado Central faz parte do PAC Cidades Históricas, e que depende de repasse a ser feito pelo Governo Federal, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O eterno sonho da reforma previa as linhas arquitetônicas da reforma dos anos 1939-1940, no governo de Paulo Ramos, mas objetivava ser um marco de edificação dentro do elenco de obras do PAC Cidades Históricas. Uma das medidas seria a setorização dos serviços e produtos oferecidos pelos feirantes, o que facilitaria o acesso do consumidor ao produto de seu interesse. A intenção dos arquitetos era que o projeto oferecesse   espaço, conforto e mobilidade para vendedores e seus clientes. É sentar e esperar os anos passarem,  o papel da promessa envelhecer em qualquer gaveta e o velho Mercado Central sofre as consequências da terceira idade. 

 

Sobre o Mercado Central

O Mercado Central de São Luís foi construído em 1864. 65 anos depois, em 1939, através de um programa sanitarista, o prédio foi demolido e reconstruído pelo governador Paulo Ramos. Durante muito tempo passou a se chamar Mercado Novo, devido a essa reconstrução. No local funcionava anteriormente, há cerca 70 anos atrás, o antigo gasômetro, que abastecia os postes de iluminação pública de todo centro da cidade. Dentre as denominações que o lugar já teve, Largo do Açougue Velho, como era conhecido por um longo período na década de 1940, foi relacionado à existência de um curtume que tinha vinculo com o curral municipal. Ocupando um quadrilátero retangular entre a Rua de São João e o fim da Avenida Magalhães de Almeida, o Mercado Central reúne cerca de 450 estabelecimentos e mantém direta e indiretamente cerca de mil trabalhadores, gerando renda para quase dois mil e quinhentas pessoas, que retiram do espaço sua subsistência, como flanelinhas e carregadores de sacolas. A variedade de produtos comercializados no mercado faz dele uma das opções mais procuradas por muitas pessoas que moram nos arredores e até de outras localidades e municípios. Frutas e bebidas regionais, doces caseiros, ervas, plantas medicinais, grãos, além de carnes, aves, peixes, mariscos, legumes, hortaliças, artesanato em palha, couro e madeira, gaiolas, vassouras, funis entre outras coisas são vendidas no espaço.