sexta-feira, 27 de maio de 2022

G10 Editora

A sucessão que dá baião

Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no telegram
Compartilhar no linkedin

Já passamos da metade de janeiro. A cada dia as orelhas esquentam mais de tanto que os nomes da sucessão são pronunciados. Mas o ar se arrasta como calor do deserto, ou a secura do sertão. Tem uma música de Patativa do Assaré chamada “A triste partida”, que começa assim:

Setembro passou

Outubro e Novembro

Já tamo em Dezembro

Meu Deus, que é de nós,

A canção ficou famosa na voz de Luiz Gonzaga, mostrando o suor a dor, a fé e o canto do povo nordestino. Embora o Maranhão não sofra dessa chaga da seca (por enquanto – já já os eucaliptos e a soja acabam com as nascentes do Rio Preguiça e de outros), pelo contrário, está com vários pontos debaixo d’água, levando um sofrimento oposto ao povo maranhense.

Mas na política há secura que lembra as palavras do velho cearense Patativa: é a secura da política e da sucessão governamental do estado. Como nos versos do poeta, os meses chegam, passam e pouco (ou nada) acontece.

Ano passado a famosa “decisão” do governador Flávio Dino, sobre qual pré-candidato do “grupo” ele apoiaria, foi como a chuva do polígono: nunca chegava, e quando chegou foi amainada, adoçada, polida: ou seja: meia-boca. No fim das contas Dino deu uma decisão cunhada de “pessoal” em favor do vice-governador Carlos Brandão. E remarcou uma reunião “definitiva” para final e janeiro.

Voltemos a Patativa do Assaré:

Sem chuva na terra

Descamba Janeiro,

Depois fevereiro

E o mesmo verão

Mas, descambando janeiro deve sair a decisão do “Grupo Dino”? A disputa tá tão pegada, que até o interior dos partidos está dividido. Um exemplo bom é o PT, onde os apoios por este ou aquele candidato são variados. E ainda teve a retirada da pré-candidatura de Felipe Camarão ao governo, não sem, no entanto, reivindicar espaço na chapa majoritária.  

Este espaço é composto de três possibilidades: a de vice-governador, e as duas de suplente do próprio Flávio Dino. Sendo que a primeira suplência é uma menina-dos-olhos, uma vez que eleito Dino senador e Lula presidente, a possibilidade de Dino compor o ministério é boa.

Outro partido estratégico é o Cidadania, afinal tem uma senadora e seu peso eleitoral. Porém ali também há desconexões. Enquanto o diretório estadual, comandando por Eliel Gama (irmão da senadora) resolveu apoiar Brandão, a própria senadora já há muito declarou apoio à pré-candidatura do senador Weverton. Sobre o assunto o presidente nacional do Cidadania (antigo PPS), Roberto Freire, tuitou:

“Recebi o Brandão porque soube que o Diretório do Maranhão havia decidido apoiá-lo. Quanto à Eliziane ela será respeitada na sua opção se porventura quiser dissentir da posição do partido. Apenas isso. Abraços presidente Roberto Freira (PPS)”.

A sabedoria popular com suas máximas e interlúdios certeiros, nos lembra que só termina quando acaba. Se descambado janeiro e depois fevereiro, ao contrário do poema de Assaré, de março não passa para Flávio Dino deixar o governo e ser candidato a senador. Até passaria, mas apenas até 2 de abril e do jeito que as coisas estão… Mas Dino já declarou que deixa o governo no dia 31 de março. Então vejamos:

Apela pra Março

Que é o mês preferido

Do santo querido

Senhor São José

Mas a política não é baião; embora haja seca e enchente, decisão e protelamento, parceria e trairagem (melhor parar porque cabem muitos nomes – alguns feios). E como estamos no Maranhão, vamos encerrar como João do Vale encerra a música “Minha história”:

Mas o negócio não é bem eu, é Mané, Pedro e Romão

Que também foram meus colegas, e continuam no sertão

Não puderam estudar e nem sabem fazer baião

– Publicidade –

Outras publicações