domingo, 25 de setembro de 2022

Alta dos preços causam maiores impactos nas famílias mais pobres

O Gráfico demonstra como a alta nos preços terão impacto em todo o mundo, principalmente nas famílias mais pobres, onde a alimentação representa uma parcela maior das despesas. Os custos dos alimentos representam 17% dos gastos do consumidor nas economias avançadas, mas em países da África Subsaariana representam 40%. 

Os preços globais dos alimentos devem continuar subindo, mesmo após de atingirem um recorde em fevereiro, e também dificultam a recuperação econômica global.

Os preços das commodities alimentícias subiram 23,1% em 2021, sendo o ritmo mais rápido em mais de uma década, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação, levando em consideração a inflação. A leitura de fevereiro foi a mais alta desde 1961 para o indicador que acompanha os preços de carne, laticínios, cereais, óleos e açúcar.

Com a guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia estão suspendendo os embarques e possivelmente a produção de 2 dos maiores produtores agrícolas do mundo. Os 2 países (Rússia e Ucrânia) representam por quase 30% das exportações mundiais de trigo e 18% do milho, a maioria destas exportações são enviadas pelos portos do Mar Negro que agora estão fechados. Essa situação reflete no comportamento dos contratos futuros de trigo negociados em Chicago, a referência global, e recentemente atingiram um recorde.

Crise alimentar

Os preços dos alimentos e da energia são os principais causadores da inflação e crise alimentar. Os altos preços das commodities aceleraram a inflação na América Latina e no Caribe, que já enfrentam uma taxa média anual de 8%, em 5 das maiores economias da região: Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru. Os bancos centrais utilizam as suas ferramentas para o combate à inflação. 

Os preços mais altos do petróleo também prejudicam os importadores da América Central e do Caribe, enquanto os exportadores de petróleo, cobre, minério de ferro, milho, trigo e metais podem cobrar mais por seus produtos e mitigar (aliviar) o impacto no crescimento.

As condições financeiras permanecem relativamente favoráveis, mas a intensificação do conflito pode causar dificuldades financeiras globais que, com uma política monetária doméstica mais apertada, pesarão sobre o crescimento.

Os Estados Unidos têm poucos laços com a Ucrânia e a Rússia, diluindo os efeitos diretos, mas a inflação já estava em seu maior nível em 4 décadas antes que a guerra impulsionou os preços das commodities. Isso significa que os preços podem continuar subindo à medida que o Federal Reserve, banco central americano, começa a aumentar as taxas de juros.

Wagner Matos – economista

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