Campanha do Janeiro Branco promove saúde mental da população

O incentivo para tratar a saúde mental, não como doença, mas como parte dos cuidados para uma vida saudável é uma das prioridades do Departamento de Atenção à Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que neste mês desenvolve o Janeiro Branco, cujo tema é “Quem Cuida da Mente, Cuida da Vida”. A campanha tem como objetivo promover a saúde emocional da população.

A campanha, também, coloca em prática a Política Nacional de Saúde Mental, que compreende as estratégias e diretrizes adotadas para organizar a assistência às pessoas com necessidades de tratamento e cuidados específicos em saúde mental.

Atualmente, o Maranhão tem 86 Centros de Atenção Psicossocial espalhados em 72 municípios. Essas unidades proporcionam atenção a pessoas com necessidades relacionadas a transtornos mentais como depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo e outros, além de pessoas com quadro de uso nocivo e dependência de substâncias psicoativas, como álcool, cocaína, crack e outras drogas.

O acolhimento dessas pessoas e seus familiares é uma estratégia de atenção fundamental para a identificação das necessidades assistenciais, alívio do sofrimento e planejamento de intervenções medicamentosas e terapêuticas, se e quando necessárias, conforme cada caso. Os indivíduos em situações de crise podem ser atendidos em qualquer serviço da Rede de Atenção Psicossocial, formada por várias unidades com finalidades distintas, de forma integral e gratuita, pela rede pública de saúde.

“Temos feito muitas ações de prevenção, principalmente dentro do ambiente escolar, associações comunitárias, para falar sobre relações interpessoais, prevenção às drogas e ao suicídio. O impacto dessas ações para a saúde mental é enorme, pois começamos a olhar essas pessoas de outra maneira e esse tem sido o diferencial da Secretaria de Estado de Saúde”, afirma Márcio Menezes, chefe do Departamento de Atenção à Saúde Mental da SES.

Atividades

A diretora do Centro de Atenção Psicossocial Dr. Bacelar Viana (CAPS III), em São Luís, Ana Gabrielle Guterres Romanhol, explica que o propósito das ações do Janeiro Branco e das programações internas das unidades é reinventar as práticas dos dispositivos que compõem a rede, levando os pacientes para atividades integrativas, além de incentivar a construção de práticas de saúde mais acolhedoras e de fortalecimento de vínculos entre os indivíduos.

Para Suely Maria Santos de Sá, 52, paciente assistida no CAPS III, a ação externa e integrativa colabora com o tratamento. “É muito bom para gente ter mais interação com as outas pessoas, nos ajuda a desembaraçar nossas emoções. Aqui participo de tudo, das oficinas, atividades externas e de tudo que possa me deixar mais feliz”, comenta a paciente, que está em tratamento na unidade estadual há oito meses.

Rede de cuidados

Os principais atendimentos em saúde mental são realizados nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que existem no país, onde o usuário recebe atendimento próximo da família com assistência multiprofissional e cuidado terapêutico conforme o quadro de saúde de cada paciente. Nesses locais também há possibilidade de acolhimento noturno e/ou cuidado contínuo em situações de maior complexidade.

A SES possui uma rede de cuidados, desenvolvendo políticas públicas efetivas. A Rede Estadual de Saúde Mental é composta por dois Centros de Atenção Psicossocial: o CAPS Álcool e Drogas (CAPS-AD) e o CAPS III – Dr. Bacelar Viana, unidades consideradas “porta aberta”. Também integra a rede a Unidade de Acolhimento (UA) e três Residências Terapêuticas (RT), o Hospital Nina Rodrigues. Além das ações assistenciais, o Governo aposta na qualificação dos profissionais das unidades públicas de saúde.

Todas as pessoas, de ambos os sexos e em qualquer faixa etária, podem ser afetadas, em algum momento, por problemas de saúde mental ou dependência química, de maior ou menor gravidade. Algumas fases, no entanto, podem servir como gatilhos para início do problema.

“Os profissionais, hoje, possuem uma visão mais ampla. A SES, por intermédio do Departamento de Saúde Mental, também, montou um protocolo clínico de urgência e emergência com os cinco principais transtornos que estão nas portas de entrada das urgências e emergências. Ele serve de apoio no trabalho de diagnóstico e nos auxilia na prevenção desses problemas e até mesmo no tratamento”, pontua Márcio Menezes.