quinta-feira, 28 maio, 2020
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Carnaval e cultura

Igualdade sim, violência não.

Esse é o verso fundamental do enredo com que a escola de samba Os Liberais, do bairro do Caratatíua, de São Luís, no Carnaval de 2020, homenageia o soteropolitano nascido em 21 de junho de 1830, Luiz Gonzaga Pinto da Gama.

Negro, foi tornado escravo aos dez anos de idade, apesar de filho de mãe negra livre e de pai branco. Reconquistou sua liberdade pela via judicial e passou a advogar em defesa dos cativos, sendo considerado o maior abolicionista do Brasil, conforme registro no livro Bahianos ilustres: 1564 – 1925, de Antônio Loureiro de Souza, Wikipedia e inúmeras outras fontes do Google.

O samba-enredo, de autoria de Eulálio Figueiredo e Allysson Ribeiro, conseguiu condensar em 24 linhas curtas a essência da história desse lutador, que, nos versos dos sambistas, fez da liberdade sua predição, lutou contra a opressão, a desigualdade, o racismo e a discriminação.

Vendido pelo próprio pai, estudou e formou-se, autodidata, “Advogado dos cativos / O maior abolicionista do Brasil / ‘Apóstolo negro da abolição’ / Paladino, combatendo a escravidão.”

O samba é importante resgate de um personagem que deveria ser melhor conhecido dos brasileiros e que não recebeu dos historiadores o devido crédito por sua extraordinária contribuição na luta contra a escravidão no Brasil.

Eulálio Figueiredo e Allysson Ribeiro foram excelentes na pesquisa e na condensação do espírito e da espinha dorsal de um exemplo riquíssimo, que traz à tona os absurdos que a espécie humana é capaz de cometer.

O apelo do refrão – Igualdade sim, violência não – continua atual e premente.
Os Liberais estão trazendo através do Carnaval uma lição de história, reflexão sobre a dignidade humana e até um alerta para a advocacia, que os cursos sem ética estão transformando em instrumento de negociata, ignorando seu estatuto, que proclama:
“Art. 2º O advogado é indispensável à administração da justiça.
§ 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.”

Eulálio Figueiredo e Allysson Ribeiro estão presentes neste Carnaval não só com o samba-enredo da escola Os Liberais, que pertence ao segundo grupo dos Blocos Organizados. São autores também do samba-enredo da Flor do Samba, do primeiro grupo das escolas de samba, cujo tema dado aos carnavalescos foi: Patrimônio cultural e imaterial do Brasil.

O samba de Eulálio e Allysson, vencedor para levar a Flor do Samba à passarela, destaca Carnaval, Patuscada, Capoeira, São João, Bumba Boi, Círio de Nazaré, Festa do Bomfim, dentre outras referências culturais. O tema, aliás, coincide com a recente conquista, pelo Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão, em 11 de dezembro de 2019, do título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, premiação criada em 1997 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Seria justo reconhecer a contribuição de Roseana Sarney e José Raimundo Rodrigues a essa conquista, pois o apoio da ex-governadora aos festejos juninos e a permanente divulgação do jornalista, dentre outros, foram fundamentais para o destaque que essa manifestação cultural conquistou.

*Advogado e jornalista

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