terça-feira, 3 de agosto de 2021

Comunidades tradicionais no Maranhão se organizam para evitar incêndios

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O quilombo Cocalinho, localizado no município de Parnarama, no Maranhão, já no bioma Cerrado, se organiza preventivamente para evitar e combater os incêndios. Durante duas semanas, a comunidade tradicional realiza mutirões para a “limpeza” do território na divisa com as fazendas de plantação de soja e eucalipto. O objetivo é isolar á área do quilombo, evitando qualquer contato entre as vegetações e consequentemente contato com as labaredas.

“É um auto cuidado com o território, sua fauna e flora e com as pessoas das comunidades quilombolas. Com a limpeza observamos e identificamos os focos de incêndio”, afirmou Leandro Santos, liderança quilombola. O Maranhão segue com números alarmantes quando se trata de focos de incêndio. Em 2020, o Estado ficou em 4º lugar no país, nesse quesito, e supera o total registrado em 2019, quando foram contabilizados 11.759 focos. A fonte é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O quilombo Cocalinho historicamente é uma vítima dos incêndios. Em setembro de 2020, sofreu com o fogo colocado nas fazendas de eucalipto e soja, localizadas vizinha ao território. Foram dias de desespero, com o fogo sendo espalhado pela ação do vento. O Corpo de Bombeiro, com unidade distante duas horas do incêndio, não chegou a tempo de controlar. Os próprios moradores realizaram mutirões para impedir que o fogo se aproxime das casas e roçados, usando baldes de água, lençóis e terra. Eles se revezaram em turnos de 25 pessoas, em uma tentativa de salvar pelo menos cem roçados cultivados pela comunidade.

De julho a setembro, é intenso o período das queimadas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste do país. As queimadas no Maranhão cresceram 73,5% no mês de julho de 2020, em comparação com mesmo período de 2019 (Inpe). Líderes de comunidades tradicionais da região destacam que desde o início do governo Bolsonaro a tensão entre eles e desmatadores se agravou, devido sobretudo ao enfraquecimento do trabalho de instituições públicas de monitoramento, como o próprio Inpe e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo os moradores do quilombo, não é incomum que a fazenda use o fogo para queimar brotos, nas elevações de terra entre dois sulcos conhecidas como leiras. Árvores de frutas nativas do Cerrado, como macaúba, cajuzinho e mangaba, além de espécies como cedro, sapucaí e pau d’arco presentes no território do quilombo sofrem com o avanço de monoculturas e suas histórias centenárias são extintas com o desmatamento.

Fogo no Cerrado

O Cerrado foi o segundo bioma brasileiro que registrou mais focos de incêndio em agosto de 2020 somando ao menos 205 mil casos, do total de 1,1 milhão de queimadas identificadas no país no mês passado pelos satélites do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os meses de julho e agosto costumam ser os mais críticos, por serem o ápice do período de seca. A primeira colocada no ranking foi a Amazônia, com 661.890 queimadas.

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