quinta-feira, 18 de agosto de 2022

(Des)guarnecer: o que acontece com a cultura se ela perde sua potência?, exposição de Hugo Alves

Em cartaz, até dia 10 de agosto, a exposição está aberta para o guarnicê do público na Casa do Maranhão (Rua do Trapiche S/N, Praia Grande – São Luís)

“Quando eu me lembro” é a primeira instalação da exposição (Des)guarnecer, do professor e artista Hugo Alves. Neto de dona Loura e seu Donato Alves, costureira e cantador do Boi de Axixá, fez de suas memórias um convite para acessar o que existe além da festa popular.

A exposição remonta corpos e outras narrativas da nossa cultura. Com isso, o artista traz à tona a ancestralidade que sustenta a tradição. “Existe um silêncio não festejado, o processo histórico de luta do bumba meu boi, aí eu comecei a me perguntar, será que só guarnece, será que não tem outra coisa que desguarnece?, se questionou Hugo.

Passeando pelas memórias afetivas do artista, a gente se depara com a Gingada do cabloco, que com seu cocar de pena e um paninho na mão para enxugar o suor, chega reivindicando seu espaço na brincadeira, que é de todos nós.

O Miolo do boi é retratado com as vísceras expostas, e a Catirina, corta sua própria a língua. Corpos talhados, muitas vezes pelo silêncio. Símbolos de resistência. “Catirina foi uma mulher negra escravizada, que grávida desejou comer a língua do melhor boi do dono da fazenda. Ela representa o silenciamento do preconceito, do racismo, do assédio, muito presente dentro do bumba meu boi. Então, Catirina traz no couro essa marca, mas também a esperança – de que na tradição, as coisas morrem, mas renascem, já que o boi está para além das miçangas, está na espiritualidade e na força que rege tudo isso”, ponderou.

Um desses símbolos de resistência é Donato Alves, cantador do Boi de Axixá e compositor da toada ‘Bela Mocidade’. Para Hugo, a história de seu avô em vida era a própria história de sua arte. “Essa ideia do boi velho, dentro de um útero com o cordão umbilical cortado e as pessoas em volta se degradando, veem justamente com a ideia de que se a gente corta o cordão umbilical da cultura, o quê que morre? Será que é só a manifestação, ou será que a gente enquanto, memória, corpo e identidade, também não morre?, indagou o artista.

Em cartaz, até dia 10 de agosto, a exposição está aberta para o guarnicê do público na Casa do Maranhão (Rua do Trapiche S/N, Praia Grande – São Luís), de terça à sábado, das 09h às 18h, e aos domingos, das 09h às 13h30.

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