sábado, 25 julho, 2020
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Desunião contra o COVID19

A ambição e o egoísmo são tão exacerbados em determinadas autoridades públicas que não conseguem controlar-se nem mesmo neste momento de pandemia do COVID19. O interesse público é secundário.

Quando um vírus com enorme letalidade se alastra pelo mundo, era de se esperar que os responsáveis pela administração pública se unissem para planejar ações conjuntas, atendendo às peculiaridades relevantes.

Não foi isso o que aconteceu. Nem há perspectiva de que aconteça. Alguns veem no vírus um aliado para tentar desestabilizar e afastar o presidente da República. Motivo: seus pronunciamentos, suas palavras. Não o acusam de corrupção. Até admitem que seu ministério está fazendo a coisa certa. O que está por trás da trama contra o presidente é o fato de que atacou os esquemas de corrupção.

Para os golpistas é como se o povo brasileiro tolerasse a corrupção, mas não tolerasse a verborragia. Não é verdade. As últimas eleições provaram o contrário. Quanto às palavras rudes do presidente, têm sido usadas como argumento porque não há outro. Coisa que não houve contra os ex-presidentes que chamaram os aposentados de vagabundos e ofenderam inúmeros segmentos sociais e autoridades públicas, sem que tais manifestações causassem a mesma reação.

O que a população esperava de seus governantes é que de fato os discursos de união e solidariedade tivessem uma correspondência de honestidade e coerência com suas condutas e todos procurassem comunicar-se de forma saudável, na busca de solução para o problema, ainda que não fosse definitiva, mas que fosse consensual, permanentemente avaliada, para correção das medidas, conforme a necessidade. Para isso seria necessário que a pandemia fosse tratada com seriedade e não como aliada eleitoreira.

Dizer que quem prefere um tipo de enfrentamento a outro está escolhendo a economia em vez da vida é má-fé ou ignorância. É maldade, irresponsabilidade e falácia, para parecer bom moço, escondendo a crua realidade que deveriam todos analisar e avaliar.

Sobre o vírus devem falar os infectologistas, os cientistas e deles vir a orientação. E aos médicos, onde o vírus chega com intensidade superior à de seu enfrentamento, tem cabido a difícil tarefa de decidir a quem dar atendimento em detrimento de outrem.

No caso da decisão da administração pública, lamentavelmente cabe tarefa semelhante, porque ao tomar medidas extremas como de confinamento além da capacidade de subsistência, virá a violência, inclusive a doméstica, o caos, causando mais mortes do que as habituais, cujos números já são absurdos, mas compreensíveis pela falta de políticas e serviços públicos decentes efetivamente voltados para a população.

Governantes pedem verbas e suspensão de pagamento das dívidas. Mas não se ouve nada sobre suprimento do que é necessário para enfrentar o vírus. Sequer há preocupação eficaz com médicos e paramédicos, para que a todos sejam assegurados os equipamentos necessários de proteção e inclusive remuneração digna, porque são eles os que estão na linha de frente dessa guerra contra um inimigo invisível, traiçoeiro e letal.

A população espera que os recursos que estão sendo destinados ao combate ao novo corona vírus atinjam sua finalidade.

*Advogado e jornalista

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