sábado, 13 de agosto de 2022

Dois anos depois, a Capela voltou a amanhecer e São Pedro foi ao mar

Às vésperas de São Pedro, entre a noite do dia 28 e madrugada de hoje, 29 de junho, antes de chegar na Capela, ali mesmo na rotatória do Bacanga, já era possível ouvir o coro das matracas, entoado por uma multidão.

Ao entrar no templo, com a benção de São Pedro, brincantes aproveitaram para pagar promessas e obrigações ao Santo. No percurso tradicional até a Casa das Minas, um vai e vem de pessoas cruzava os batalhões.

Moradora da Madre Deus há quase 50 anos, dona Cláudia Fernanda, aproveita a localização e reúne família e amigos na frente de casa. “É lindo, daqui a gente vê a tradição passar na nossa porta”, disse ela.

No meio da multidão, pequenos grupos se agitavam, como uma onda, até arrastar um mar de gente. Dava para sentir o arrepio pelo corpo.

Na porta da Casa das Minas, terreiro mais antigo do Maranhão, a parada é obrigatória. Lá eles entram, pedem bençãos, recuperam as energias, muitas vezes com um caldinho que equilibra a cachaça tomada ao longo da noite, e assim vão até o amanhecer.

A tradição também pode ser novidade. Para Euclides Mendes, turista baiano, a experiência junina no dia de São Pedro é bem diferente por aqui. “Lá na Bahia, a festa para São Pedro não é tão forte como no Maranhão, foi surpreendente”, declarou.

Entre batidas de matracas e pandeirões, o sol nasceu e a energia da multidão se renovou. “Eu vou até de manhã” (Boi de Santa Fé), foi quando a toada se fez realidade e a Capela de São Pedro voltou a amanhecer depois de 2 anos.

Segundo estimativa da Polícia Militar da Maranhão (PMMA), cerca de 20 mil pessoas passaram pelo festejo, desde a noite da terça-feira (28), prestigiando a festividade que se estende durante todo o dia.

Para quem amanheceu, era hora de testemunhar a retomada da tradição, depois do período mais crítico da pandemia. “Entrar pela madrugada, pede muita resistência, mas também é reenergizante, a gente ganha uma força sobrenatural, para continuar lutando”, afirmou a brincante, Lúcia Diniz.

Procissão Marítima

Na festa de São Pedro, fé e tradição se encontram, a todo momento e em todo lugar, até o mar vira altar. Ainda de manhã, a imagem do Santo foi levada por embarcações, durante cerca de 1 hora, passando pela Ponta d’Areia e pela Barragem do Bacanga, retornando à rampa Campos Melo.

Centenas de pessoas, entre padres, fiéis, turistas, curiosos e organizadores participaram do cortejo. “A travessia foi maravilhosa! Foi tudo calmo, tudo na santa paz. Agradecemos muito a Deus para que sempre possamos ter essa oportunidade, esse momento importante para o nosso povo”, comentou Padre Hélio.

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