sábado, 8 agosto, 2020
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Em oito anos, número de mulheres agredidas por ex-companheiro cresce 37%

O Instituto DataSenado apresentou nesta quarta-feira (4), em audiência pública, na Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher (CMCVM), a oitava edição da Pesquisa Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O levantamento mostrou que o percentual de mulheres agredidas por ex-companheiros subiu de 13% para 37% entre 2011 e 2019. Segundo a pesquisa, 27% das entrevistadas já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar. Considerando a margem de erro do estudo, o índice permanece estável em relação ao último estudo, em 2017, quando o indicador alcançou o maior nível em toda a série histórica: 29%.

Segundo a pesquisa, feita em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, 82% das mulheres ouvidas acreditam que a violência aumentou. A cada dez mulheres, sete foram agredidas antes dos 29 anos e 60% das entrevistadas conhecem alguém que sofreu algum tipo de violência e o tipo de agressão mais comum, relatada por 66% das entrevistadas, foi a física.

A diretora da Secretaria de Transparência, Elga Lopes, explicou que a Pesquisa Nacional sobre Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher é feita pelo DataSenado a cada dois anos desde 2005, antes mesmo da aprovação da Lei Maria da Penha. Neste ano, a sondagem integra o conjunto de iniciativas do Senado Federal no contexto da campanha da ONU “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”.

— A intenção da pesquisa é verificar o impacto da lei sobre a realidade de violência e se a violência diminuiu ou aumentou. Somos o único instituto que investiga esse assunto e fazemos de uma forma peculiar: só mulheres entrevistam mulheres. Foram ouvidas, neste ano, 2,4 mil mulheres.

Combate ao assédio no Senado

Presente no debate, a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, agradeceu a oportunidade de participar da audiência e ressaltou que, desde 2015, a Casa tem investido em ações em prol da equidade de gênero e raça. Exemplo disso, afirma, foi a iniciativa do Senado que destina uma cota de 2% nos contratos de terceirização para colaboradoras em situação de vulnerabilidade econômica em decorrência de violência doméstica e familiar.

— Ao trazer essas mulheres, percebemos que era necessário trabalhar um ambiente saudável, e descobrimos que queríamos que o Senado fosse um ambiente livre de qualquer tipo de assédio. Em 2019, desenvolvemos uma campanha contra assédio moral e sexual no trabalho.

A diretora-geral também falou sobre as três fases da campanha: a primeira contou com informativos, como cartilhas e cartazes, com conceitos e exemplos de assédio; a segunda com totens, em tamanho real, espalhados pela Casa com frases de alerta sobre o tema; e a terceira com vídeos de senadores e servidores falando sobre a importância do combate ao problema.

Segundo Ilana, a ideia é estimular outras organizações a adotar campanhas similares.

— Entendemos que o Senado não é uma ilha. Por isso, é importante este espaço para que outras instituições que queiram trabalhar esse tema saibam que o Senado é uma instituição parceira, que podemos ajudar, a partir do nosso exemplo, a construir ou ceder peças da campanha, e que, por levarmos a sério esse trabalho, deixamos que os colegas sintam no Senado um parceiro verdadeiro para a construção de um ambiente sem nenhum tipo de assédio — afirmou.

Mulheres fortes

Representando o Observatório da Violência contra a Mulher, Henrique Marcos Ribeiro falou sobre a satisfação de participar do debate e ressaltou que a luta contra a violência às mulheres também é uma causa dos homens.

— E o fato de ter homens trabalhando com esse tema serve de exemplo de que pode haver uma relação de igualdade e de respeito mútuo entre homens e mulheres.

A pesquisa

Foram entrevistadas 2,4 mil mulheres de todas as unidades da federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, no período de 25 de setembro a 4 de outubro. A amostra é estratificada, totalmente probabilística, com alocação proporcional à população segundo dados mais recentes do IBGE. A margem de erro é de dois pontos percentuais com nível de confiança de 95%. Nas questões respondidas por subgrupos específicos da amostra, ou nas análises de dados segmentados, a margem de erro é superior a dois pontos percentuais.

Mais informações sobre a pesquisa estão disponíveis no site do Senado.

 

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