quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Empresa no bairro: mais opções perto de casa

O último fim de semana antes do natal é igual em qualquer lugar: lojas cheias, estacionamentos insuportavelmente lotados e uma confusão para caminhar esbarrando uma quantidade de sacolas que nos assemelha a um polvo, dado o volume de tudo o que é carregado.

 

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Quem vai às compras nessa época do ano e tem o mínimo de desejo de abrir seu próprio negócio já até faz estimativas do quanto poderá lucrar. Nesse aspecto três locais se apresentam como opções ao consumidor: as lojas do centro da cidade, os shopping centers e as lojas de bairro.

 

Em pesquisa recente feita pela Fecomércio, a última alternativa de compra apresentada aqui surgia com 10% das intenções de compra.

 

A seu favor, um pretenso empresário que queira investir no Cohatrac (foto abaixo), por exemplo, tem o fato de o trânsito ser um dos principais responsáveis pelo aumento no nível de estresse.  A pesquisa conclui que os 90% restantes estão divididos entre shopping centers e o Centro da cidade.

 

Apesar de ser considerado baixo, se comparado a quem ainda prefere o ar condicionado ou o sofrimento que passa quem vai à Rua Grande, o percentual de quem vai para as “lojas de bairro” aponta para uma tendência de crescimento.

 

Cohatrac é a sigla para Conjunto Habitacional dos Trabalhadores Comerciários. Por isso a vocação natural para as vendas. Suas três avenidas principais oferecem de supermercados a salões de beleza, passando por clínicas de saúde, pet shops, depósitos de bebidas e farmácias. Lojas de artigos de vestuário também são encontradas aos montes.

 

É aqui que encontramos a Dona Noemília Mesquita (foto). Ela trabalha há mais de 20 anos com organização de festas infantis, produção de bolos, salgadinhos e tudo o que se precisa para fazer um belo aniversário de criança. Ela conta que a última vez em que precisou ir ao Centro foi porque não encontrou o que precisava para terminar um bolo. “E, antes de ir lá eu fui na Cohab e na Cohama”, destaca.

Noemília Mesquita: autônoma que trabalha e mora na mesma casa

 

E Antes disso? “Não lembro. Ou eu faço tudo aqui ou vou ao shopping”. E quando ela fala que tem tudo pertinho de casa não é exagero. “Até o banco fica perto. Minha agência é bem ali”, conta a empresária como se estivesse falando de seu vizinho.

 

Na entrada de um supermercado instalado há cerca de dois anos há uma urna com um cartaz que ilustra bem a força da região. “PREFERÊNCIA PARA QUEM MORA NO BAIRRO”. Toda oportunidade que se puder ter para evitar que a loja não abra ou os clientes sejam prejudicados, como as constantes greves de ônibus, precisam ser avaliadas.

 

Não por acaso pelo menos 50% dos 350 funcionários moram perto de onde trabalham. Assim a escala não sofre tantas mudanças “Temos funcionários que moram na Vila Embratel também (bairro situado quase no outro extremo da capital maranhense), mas esse pessoal tem que sair mais cedo porque a partir de 23h não tem mais ônibus para o terminal”, pondera nosso entrevistado, gerente da unidade que pede para não ser identificado.

 

O lugar é tão independente que a modalidade de venda de porta em porta, cada vez mais rara, não é tão difícil de ter um representante encontrado. Júlio mora no Residencial Thiago Arôso, em Paço do Lumiar – município vizinho – mas tira do bairro retratado na reportagem a maior parte de sua renda.

 

Os “caixeiros”, alerta, trabalham sem nenhuma comprovação de renda ou exigência de documentação. “É tudo de boca. A gente sabe que a pessoa compra e vem cobrar no dia que ela escolhe”, mais um exemplo de que o morador dali, definitivamente, não precisa sair para fazer nada.

 

Embora seja de outro ramo, um exemplo de quem investiu um pouco antes tendo como foco a vizinhança, colhe, hoje, bons frutos. O Colégio O Bom Pastor se encaixa nesse exemplo de tendência de crescimento das empresas de bairro. Há 30 anos ele iniciou suas atividades e se mantém entre as 10 melhores escolas da cidade em rankings do Enem e de aprovação em vestibulares. À sua frente, estabelecimentos que ainda guardam consigo uma geolocalização sem grandes alterações ao longo do tempo.

 

“A nossa ideia é ser uma escola de bairro mesmo, mas de qualidade igual ou superior às tradicionais”, explica Wendel Santos, gerente pedagógico do lugar. O resultado não poderia ser diferente: 90% dos alunos são de algum Cohatrac. Os 10% faltantes são de pessoas que moram longe, mas cresceram na região ou de quem ouviu falar pelo “boca a boca” ou nos meios de comunicação tradicionais.

 

Cautelosamente a escola e seu conceito vão avançando para outras áreas. Uma segunda unidade já funciona para crianças menores.  

O Bom Pastor investiu na clientela do bairro e hoje tem quase 2 mil alunos

 

Mais importante do que a vontade de abrir uma empresa é a preparação do empresário. O Sebrae oferece cursos e consultoria para quem sonha em trabalhar para si mesmo. Especialistas da instituição tem dados que fazem o investimento ser mais certeiro e questões que vão desde a apresentação de um guia prático para o registro de empresas até os hábitos que  um empreendedor eficaz precisa ter.

 

Na página do Sebrae você encontra o calendário de cursos e palestras que podem auxiliar na realização do sonho de se tornar empresário.

Veja, adiante, um perfil das empresas instaladas em São Luís:

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