sábado, 15 agosto, 2020
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Guru do Sarney, Bita dizia não gostar de política

Ao caminhar pelas ruas da cidade de Codó, distante 292 quilômetros de São Luís, do Maranhão, cruzamos com dezenas lojas especializadas em artigos religiosos. Dificilmente, entretanto, perceberia que em uma delas atende o pai-de-santo mais famoso entre empresários e políticos: Wilson Nonato de Souza, o Bita do Barão, com idade estimada entre 90 e 105 anos de vida – ele não revela a idade, nem se sabe ao certo quantos anos de fato tem.

Bita do Barão ficou conhecido nacionalmente por sua proximidade com políticos influentes, como ex-presidente da República, José Sarney (PMDB) – de quem se diz próximo desde a adolescência – , e de sua Roseana Sarney (PMDB-MA), filha do ex-presidente. Um dos netos de Roseana, por exemplo, é apadrinhado por Bita, assim como uma das netas de Bita tem como madrinha a própria Roseana. O pai de santo contava que conheceu Sarney quando adolescente, em São Luís.

O ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), reza a lenda, também seria próximo ao pai-de-santo, além da “maioria” dos governadores, deputados federais, deputados estaduais, empresários e afins. O que se diz é que, coincidência ou não, a procura maior pelo umbandista ocorria justamente nos anos eleitorais.

Bita do Barão era visto como um sujeito simples e tem relação com o terecô, religião de origem africana costumeiramente associada à região de Codó. O pai de santo atendia no Palácio de Iansã, no Centro de Codó, próximo ao mercado e em frente a um hotel de sua propriedade, enfeitado com imagens dele com a família Sarney e com dois certificados de santidade, um deles assinado pelo hoje santo João Paulo II e outro por Bento XVI.

Discreto, Bita não revelava quem o procurava ou o procurou para pedir ajuda espiritual. Dizem que é segredo de Estado. Uma das lendas que o cercam diz que, em 1985, os tambores de Codó orquestrados por Bita teriam soado durante sete dias antes do falecimento de Tancredo Neves, possibilitando a posse do então vice José Sarney, na Presidência. Os dois lados, naturalmente, sempre negaram qualquer relação entre os episódios. Mas a proximidade de Bita com a família Sarney lhe rendeu até uma condecoração, em 1988, como comendador da República Federativa do Brasil.

Quem trabalha no terreiro comandado por Bita conta que o ex-senador emedebista João Alberto está entre os que prestam uma visita de cortesia ao pai-de-santo semanalmente.
Em 2014, por exemplo, Bita aconselhou Roseana a deixar a política de lado e cuidar um pouco mais da saúde, dos filhos e dos netos. Coincidência ou não, a governadora maranhense, mesmo contra a vontade do pai, não disputou a eleição para o Senado à época.

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