Justiça determina nova reintegração de posse na comunidade Cajueiro

PorRedação

Foto: Fábio Bala/Tv Guará

A justiça determinou uma nova reintegração de posse na comunidade Cajueiro, zona rural de São Luís. Os moradores estão sendo despejados para a construção de um terminal portuário. A última determinação da justiça saiu nesta semana e as máquinas, que já haviam derrubado casas e plantações em janeiro, podem voltar a repetir as ações.

Em janeiro do ano passado, famílias tiveram que ir embora depois que perderam os imóveis. Moradores que ainda resistem às decisões judiciais de reintegração de posse na Comunidade Cajueiro, Zona Rural de São Luís, afirmam que não são invasores para serem expulsos. Eles buscam a proteção na delegacia agrária e defensoria pública onde já recorreram desta última determinação de reintegração de posse.

A comunidade, que possui cerca de 500 famílias, afirma estar regularmente assentada pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), mas a empresa alega ser proprietária de boa parte da localidade. Os moradores de Cajueiro e o Ministério Público Federal dizem que o consórcio está tentando driblar as legislações ambientais e de zoneamento para colocar de pé o projeto de R$ 1,5 bilhões, em parceria com o conglomerado China Communications Construction Company (CCCC).

A localização da comunidade é estratégica, fica às margens da Baía de São Marcos e chamou a atenção de um consórcio de empresas que já começou o processo de instalação de um terminal portuário que mudou o cenário. A terraplanagem é um dos primeiros sinais do novo empreendimento que pretende movimentar mais de 10 milhões de toneladas em grãos, fertilizantes e petróleo.

Mas, para a construção continuar, a Empresa WPR São Luís Gestão de Portos e Terminais precisaria de mais de 200 hectares, que é a previsão de ocupação do terminal. Diante da situação, que vive no local não sabe pra onde ir depois da última decisão da justiça. “São 13 anos que eu moro aqui. Essa empresa ela chegou e já nos encontrou aqui. E agora ela entra com uma reintegração de posse, sem procurar a gente para uma negociação. Quer tirara a gente daqui sem direito a nada. Aí meu medo é ficar desamparado, sem nada. Eu peço que as autoridades olhem para isso aqui”, desabafou o pescador Ribamar Coelho.

Entramos em contato com a empresa WPR São Luís Gestão de Portos e Terminais solicitando posicionamento sobre o assunto, mas até o momento não tivemos retorno.

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