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Crônica da Esperança

Posted On Quarta, 22 Novembro 2017 15:56 Escrito por

Há uns quinhentos e poucos anos se morria e matava por pimenta, cominho e açafrão. Construíam-se navios cheios de canhões para ir pra Índia em busca das tais especiarias. Depois foi por açúcar. Tá, teve o ouro também... Inclusive algumas civilizações foram dizimadas nesse meio tempo.

E hoje em dia gasta-se fortunas em publicidade pra vender sazon e caldo maggi, que os grandes cozinheiros, quer dizer chefs, juram que usam. Na propaganda, essas “novas especiarias” são chamadas de “amor”.

Antes se casava para sempre. Na alegria e na tristeza e no escambau. Agora o cachorrinho que infesta a varanda do vizinho de pelos é insubstituível no coração, mas na night as pessoas (veja bem: pessoas!) “ficam” e se largam e se esquecem com a facilidade com que se descarta um chiclete amargo.

Esse negócio de carro a combustão já foi considerado “modismo”, por um banqueiro com falta de visão. Segundo o mesmo: “o cavalo veio pra ficar”. Talvez porque, naquele tempo (começo do século passado), Robert Musil anotou sua estupefação com cavalos de corrida considerados “geniais”. Bom, já era um bom caminho andado na modernidade.

Os valores mudam, é certo; sempre foi assim. A cultura não é e nunca foi estática. Antes os valores mudavam menos rápido. Agora há fenômenos em que os valores simplesmente podem se reverter, da noite para o dia. Zé Mayer, William Wack, Boslsonaro, Lula.

Mas nada melhor do que as máximas orientais que não se cansam de dizer: “tudo muda”. Ou Nietzsche com seu “eterno retorno”.

Kant apontou que o ser humano tem um ciclo de vida muito curto para se tornar completo. Diz que as conquistas se dão no decorrer das gerações. Até lembra as marteladas para construção do futuro, um futuro que nunca chega, que parece estar sempre mais a frente.

Na enxurrada dessa ideia kantiana que remonta 200 e tantos anos, Lipovetsky  diz que chegamos ao ponto da hipermodernidade. Que, agora, as gerações querem mais é aproveitar. É o hedonismo exacerbado, o individualismo.

Já se passou pela busca da igualdade; agora é a homogeneização da diferença. Ou como diria o jovem filósofo sueco Nick Bostrom “A máquina superinteligente será a última invenção humana”.

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