Análise: Francisco Araújo: "por que não temos trens?"

Posted On Sexta, 25 Maio 2018 16:13 Escrito por

Em uma conversa com o professor Francisco Araújo, Cientista Político, muito atento aos movimentos populares, e às mazelas do poder político constituído, sobra uma compilação de esperança e de clareza sobre de onde e veio e pra onde pode ir o Brasil.

Sem nos atermos a questões exatas como a construção da Ferrovia Norte Sul, que mais parece uma cobra se arrastando sobre o país, e nos atendo a questão macro, com poucas palavras, Francisco constrói o que poderia ser uma pauta pra enfrentar um grave problema brasileiro: o transporte.

Sem mistério, e sem paradigmas obscuros, o problema do transporte (em todas as suas categorias) pode ser visto (e sentido) abrindo a porta da sala, e olhando a rua, independente de onde moremos.

“Pensando sobre como o Brasil está em plena fragmentação e a gravidade da crise Política. Não é uma questão só da falta de combustível, bloqueio de estradas, greve... A questão é bem maior. A greve é para refletirmos antes de fazermos qualquer julgamento. Estamos todos sofrendo com essa greve por quê? Porque falta infraestrutura (por que não temos trens?); porque os gastos com a classe política são exorbitantes; porque os desvios de recursos públicos é uma regra (95% desses crimes ficam impunes); porque há omissão e complacência com o enriquecimento ilícito (mesmo os condenados permanecem com a riqueza montada pelo crime); porque os altos impostos não são convertidos em benefícios à população (não temos: segurança, transporte público, qualidade na saúde e na educação pública); porque os juros são altos e os bancos, aqui no Brasil, estão acima da média mundial; porque os pobres pagam mais impostos que os ricos (proporcionalmente); porque o número de pobres é muito alto; porque ainda não fizemos reforma agrária; porque inexiste uma política de barateamento do custo dos alimentos; porque não investimos em novas tecnologias relacionadas ao transporte (carros elétricos etc.); porque não estamos investindo em produção de energia renováveis que diminui o custo da produção (solar, eólica); porque não fizemos uma reforma política que elimine esse sistema eleitoral e partidário que privilegia a ocupação do poder por irresponsáveis com a democracia e criminosos que agem contra o patrimônio público (gente sem causa pública, sem compromisso com o interesse público); porque está faltando efetividade democrática e republicana.

Corremos o risco de falta de democracia e da destruição de todo o país. Falta responsabilidade pública e projetos de interesse nacional. Estamos paralisados por corporativismo e seitas fantásticas. Em um extremo temos a direita fascista e, bem ao lado deles, fanáticos neoliberais econômicos e, no outro extremo, uma "esquerda" de culto à personalidade e imersa na corrupção, bem próximos deles está, como um satélite, a esquerda ortodoxa, que vive desconectada da realidade e congelada em cânones do séc. XIX.

Os extremos desejam um golpe como caminho para alavancarem seus projetos mesquinhos (um para poder estar no poder e o outro para voltar a ter credibilidade e ser perdoado pelos crimes que cometeu). Faltam as esquerdas democráticas e republicanas (responsavelmente atuantes), faltam políticos liberais que realmente defendam as liberdades politicas e direitos civis, faltam cidadãos que vejam o todo, os interesses públicos e o mínimo bem comum.

 Temos que sair da armadilha das paixões movidas por interesses corporativos, das facções sectárias, dos fanatismos religiosos e que não tem complacência com os que cometem crimes contra o interesse público. Ou começamos a agir para além do umbigo, ou vai ser caos”.

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