Censo de 1872: o retrato da escravidão no Maranhão

Única contagem da população durante o período imperial feita em todo o território brasileiro mostra que mais de 20% da população maranhense era composta por escravos


Quadro Escravidão no Brasil, de Jean-Baptiste Debret (1768-1848) (Foto: Jean-Baptiste Debret/ Wikicommons)

Em 1872 os escravos no Maranhão representava 21% da população. Os estrangeiros somavam 1,5%, a maioria deles portugueses e africanos livres, mas também franceses, ingleses e espanhóis. Os números são de um censo que é a única contagem da população durante o período imperial feita em todo o território brasileiro. O documento está disponível aqui.

O Censo registrou quase 10 milhões de habitantes distribuídos em 21 províncias. Cada província se subdividia em municípios, que, por sua vez, se subdividiam em 1.440 paróquias, as unidades mínimas de informação. A coleta foi realizada nas paróquias.

No Maranhão vivam 359.040 pessoas, sendo que 74.989 eram escravos. O censo apresenta, além da contagem da população, informações específicas sobre pessoas com deficiência, acesso à escola e profissões exercidas, entre outras. Na época, acabava de entrar em vigor, em 28 de setembro de 1871, a Lei do Ventre Livre, que tornava libertos todos os filhos e filhas de mulheres escravas.

Em 1850, com a Lei Eusébio de Queiróz, foi estabelecido o fim do tráfico negreiro. Em 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários, tornando libertos os escravos com mais de 60 anos. O fim da escravidão ocorreu apenas em 1888, no dia 13 de maio, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea após a pressão e organização social dos abolicionistas, tendo como principais nomes Luís Gama, Maria Tomásia Figueira Lima, André Rebouças, Adelina, Dragão do Mar, e a maranhense Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira escritora abolicionista.