sábado, 25 de junho de 2022

G10 Editora

Operação da Polícia Federal prende ex-ministro da Educação

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro é um dos focos da Operação "Acesso Pago" (Foto: Valter Campanato (Agência Brasil)

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. A prisão é parte de operação da PF chamada de “Acesso Pago”, que investiga a prática de “tráfico de influência e corrupção” do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

O pastor Gilmar Santos também foi preso. Além disso a PF cumpre mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao ex-ministro, ao pastor Gilmar e ao pastor   Arilton Moura. Além destes, mais 13 mandados de busca e apreensão e cinco de prisões estão em andamento em Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal.

A operação se baseia em relatório da Controladoria Geral da União, que aponta indícios de crimes na liberação de verbas do fundo. Os pastores Gilmar e Arilton,  apesar de não terem cargo no governo federal,  tinham trânsito livre no MEC e no palácio do Planalto, onde atuavam como lobistas que atuavam no MEC.

Reflexo no Maranhão: entenda o caso

O Prefeito Gilberto Braga (PSDB), do município maranhense de Luís Domingues, em uma declaração ao Estado de São Paulo e a Folha, afirmou que o pastor Arilton Moura teria pedido o pagamento de 1kg de ouro – cotado em R$ 300 mil – no esquema em troca de recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Líderes e municípios maranhenses também foram citados pelo Estado de São Paulo: Bom Lugar, Amapá do Maranhão e Tuntum.

A proposta teria sido feito em um restaurante em Brasília, na presença de outros políticos. Arilton e o também pastor Gilmar Santos, de acordo com as reportagens recentes, têm negociado liberações de recursos federais para municípios; e ambos não possuem cargo no governo do presidente do Jair Bolsonaro (PL).

No áudio vazado entregue à Folha, o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, afirma que dá preferência a prefeituras parceiras dos pastores Gilmar e Arilton. Na mesma gravação, diz que a prioridade acontece a pedido do próprio presidente, Jair Bolsonaro, e menciona que os pedidos de apoio seriam usados na construção de igrejas.

A prefeita Marlene Miranda, de Bom lugar, teve o pedido de dinheiro recebido em apenas 16 dias. “Em 16 de fevereiro, ela esteve no MEC acompanhada do marido, o ex-prefeito Marcos Miranda, numa agenda intermediada pelos religiosos Gilmar Santos e Arilton Moura. No último dia 4, o FNDE reservou R$ 200 mil para pagamento à prefeitura. O recurso foi destinado para a construção de uma escola de educação infantil, obra estimada pelo município em R$ 5 milhões. Procurada, a prefeita não quis comentar”, segundo o Estadão.


Gilberto Braga esteve em Brasília em 15 de Abril de 2021 para um evento do MEC com diversos prefeitos. Na ocasião, segundo ele, pastores ocuparam posição de destaque na solenidade, ao lado do ministro da Educação.

Após o encontro, os pastores fizeram um convite aos gestores para um almoço no Restaurante Tia Zelia, onde a proposta foi feita. De acordo com o Prefeito de Luís Domingues, ele ouviu a proposta e não deu prosseguimento ao assunto. Além de Gilberto, dois assessores municipais estavam no restaurante e confirmaram o ocorrido.

STF autoriza abertura de inquérito para apurar ministro da Educação Milton Ribeiro

A Ministra do Supremo Tribunal federal (STF), Cármen Lúcia, autorizou nesta quinta-feira (24) abertura do inquérito para apurar suspeitas de que Milton Ribeiro , ministro da Educação, favorecia pedidos de pastores na liberação de recursos para prefeitura de aliados.

Entre os que devem ser ouvidos pela PGR na investigação está o prefeito de Rosário, Calvet Filho (PSC). O prefeito aparece uma lista de cinco gestores municipais que devem prestar depoimento.

O ministro da educação que passou por Rosário no começo do ano passado junto com representantes do MEC, juntamente com o reitor e diretores do IFMA, fez uma visita às novas instalações do campus na cidade.

O nome de Gilberto Braga (PSDB), prefeito de Luís Domingues que denunciou o pastor Arilton Moura, não foi chamado para depor. Gilberto esteve em uma solenidade em Brasília e durante um almoço ouviu as negociatas que envolviam as licitações.

O pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República Augusto Aras na quarta-feira (23 de março). A ministra Carmen Lucia deu 15 dias para a PGR se decidir se também investigará o presidente da Republica Jair Bolsonaro (PL) que tem o nome citado nos áudios .

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