quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Paixão que ultrapassa o tempo

Hoje é Dia do Disco de Vinil, data criada em 1978, no Rio de Janeiro, em homenagem ao músico brasileiro Ataulfo Alves, que morreu em 20 de abril de 1968.

O vinil é uma mídia analógica que está na vida das pessoas desde a década de 1940. E quem pensa que, com o aparecimento do CD, MD, pen drive, ou das plataformas de streaming, o vinil ficou de lado, está muito enganado.

Para Franklin Santos DJ, o disco traz memórias afetivas e é a sua ferramenta preferida para discotecagem

Para Franklin Santos DJ, atuante nas noites de São Luís, o disco de vinil não é apenas uma mídia de conteúdo analógico: “O disco de vinil representa pra mim a forma física da música, uma obra de arte palpável e admirável em todos os sentidos, que carrega memórias afetivas pela sua existência”, frisa. E dispara: “Inegavelmente o disco é a minha ferramenta preferida para discotecagem: posso “tocar” na música, tatear o som. Outro detalhe marcante do disco é que você lembra exatamente como adquiriu cada um da sua coleção, o momento da escolha, da compra e a vontade de ter aquele disco específico, ou mesmo o momento em que você ganhou um. Sou aficcionado e apaixonado eternamente pelo disco de vinil”, diz emocionado.

MULHER E VINIL

A DJ e jornalista Vanessa Serra conta que adquiriu o hábito de colecionar discos em casa

O vinil, também chamado de Longplay (LP), faz parte também da história da jornalista Vanessa Serra. Ela conta que adquiriu o habito de colecionar discos em casa, vendo os pais e os tios envolvidos com a música, com a cultura da audição. Recorda que o pai colocava música clássica para tocar aos sábados em casa e fazia perguntas do tipo quais instrumentos estavam tocando na música. Além disso, liam a ficha técnica, analisavam as capas juntos. “A coleção da antiga Editora Abril da História da Música Brasileira foi fundamental pra minha formação, porque além de ouvir muita música, eu ouvia os textos, de grandes jornalistas, críticos musicais, então esse universo todo era muito mágico pra mim, tanto é que isso influenciou na minha profissão”, revela.

Vanessa conta que nunca deixou de comprar vinil, a coleção dela é muito diversificada, tem desde Hermeto Pascoal, Astor Piazzolla, Maria Bethania, Maria Inês, Luiz Gonzaga até Tom Zé. “Tem de tudo um pouco e muita coisa aqui do Maranhão também”, conta.

Com uma coleção que contem 1.500 discos, a discotecagem pra Vanessa veio naturalmente. Ela conta que começou a colocar música em casa para os amigos e o DJ Joaquim Zion, que ela considera padrinho artístico, viu, gostou e começou a chamá-la para os eventos. “Os amigos começaram a abrir espaço para eu me apresentar dentro de grandes festivais como Lençóis Jazz Festival e BR 135. Foi uma porta que se abriu e foi maravilhosa, porque sinto que contribuí pra esse movimento de valorização do DJ seletor”, relembra.

A discotecagem fez com que Vanessa se tornasse produtora fonográfica, gravou um disco com 14 faixas de artistas maranhenses por meio de um projeto Sarau Virtual: Vinil e Poesia. “É um sonho realizado, eu gravei um disco, eu tenho um disco, fui a produtora do meu próprio disco de vinil”, comemora.

A jornalista e DJ fala com paixão do disco: “O vinil é uma paixão que tenho, pelo próprio manuseio dele, o lado A e B, as faixas, é tudo muito mágico. Fico pensando como é que aquele contato da agulha com o disco pode sair um som”, fala apaixonada. E completa: “Me tornei uma ativista dentro da cultura do vinil no Maranhão, principalmente trazendo esse protagonismo das mulheres, porque aqui no estado tem muitas mulheres que tocam reggae no vinil, mas dentro do meu segmento, com música diversificada, aqui no Maranhão só tem eu”, pontua.

REGGAE NO VINIL

Para o DJ Marcus Vinicius o disco é um produto de execução musical que apaixona.

O disco de vinil também faz parte da vida do jornalista e DJ Marcus Vinícius. “Ele é um produto de execução musical que apaixona”, pontua. Ele comenta que acha muito importante quem tem o saudosismo bom de guardar música. “Ter o produto a mão, poder manusear o encarte, valorizar a beleza das capas, das fotografias e ainda fazer dele um meio de diversão e também um trabalho”, descreve.

Marcus fala que o disco retornou com força, com festas, discotecagens, com trocas de discos. Pontua que as redes sociais tiveram um papel muito importante nesse processo. “Com as redes sociais foi uma evolução muito grande”, diz. Para ele, vinil é fonte de inspiração e em seu trabalho tem ritmos que vão muito além do reggae. “Tem samba, música popular brasileira, black music e a cultura popular registrada no vinil, isso tudo faz parte do meu trabalho como jornalista e produtor cultural, discotecário e DJ nas horas de folga e finais de semana fazendo a festa para a população”, conclui.

BAILE BLACK

E pra ver de perto os DJs Vanessa Serra, Marcus Vinícius e Joaquim Zion tocando os vinis de perto, eles realizam hoje, às 20h, no Creole Bar, na Lagoa da Jansen, o Baile Black, com música negra em vários estilos.

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