segunda-feira, 28 outubro, 2019
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Paternidade ativa ainda é tabu para homens no país

Que a mulher sofre muitos preconceitos em razão das conquistas que tem obtido, em especial, no mercado de trabalho, ninguém tem dúvida. Mas uma pesquisa recente revela que, agora, ela não está sozinha no alvo da artilharia. Um estudo desenvolvido pelo Instituto Global para a Liderança Feminina do King’s College London aponta que os brasileiros estão entre as populações que mais veem como “menos homem” aquele homem que fica em casa para cuidar dos filhos. Apesar de todas as campanhas existentes em prol da igualdade de gênero, o resultado do levantamento mostra que, quando se trata de paternidade ativa, o assunto ainda é um tabu para grande parte da sociedade brasileira.

A psicóloga do Hapvida Danielle Azevedo explica que o homem não deve achar que o fato de exercer a paternidade de modo a compartilhar os cuidados com o filho e/ou os afazeres domésticos o torna menos masculino. Para ela, o diálogo é o caminho para essa quebra de tabu. “É possível promover uma nova postura acerca do papel do pai dentro de uma família. Dialogar é sempre fundamental para que haja essa reconstrução da figura paterna no seio familiar”, ressalta.

No estudo, foram entrevistadas mil pessoas de ambos os sexos, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019. A pesquisa identificou que 26% da população, por amostragem, têm essa visão preconcebida do pai que exerce apenas atividades domésticas. Diante disso, a psicóloga afirma que, em geral, o Brasil ainda possui uma cultura machista potencializada. “Isso está muito relacionado à própria história da sociedade brasileira, com a ideia de uma família nuclear, em que a mulher é vista como única responsável pelos cuidados com o lar e com os filhos, além de ser submissa às determinações do macho, o ‘homem da casa’. Nesse cenário ultrapassado, o homem, é o pai provedor, aquele que trabalha fora para garantir o sustento da família e pagar as contas”, contextualiza a especialista.

Apesar de existir esse olhar, baseado na cultura do machismo, Danielle Azevedo acredita que tudo na vida é como o indivíduo se disponibiliza e se coloca no lugar do outro. “É preciso entender que há arestas que precisam ser trabalhadas, pois em alguns casos existe sempre a questão do que já foi experimentado por esse pai, há um contexto machista e de referências e traumas que podem estar ligados a essa questão dos cuidados, demonstração de carinho. Aí volto a afirmar que o diálogo é a válvula que ajusta toda e qualquer dificuldade”, defende.

Igualdade de gênero

 

Transpor essa cultura machista é encontrar também um caminho de múltiplos benefícios para a criança, tanto do ponto de vista emocional como da formação de um cidadão. Danielle acredita que a criança que tem os cuidados do pai da mesma forma que os recebe da mãe será muito beneficiada. Para a especialista, essa participação faz com que a criança entenda que os direitos são iguais, que as participações podem ser compartilhadas de forma igualitária, que os filhos serão beneficiados por ambos (pai e mãe), que não vai existir essa diferenciação de gênero dentro de casa com pai ou com a mãe.

Entretanto, a psicóloga ressalta que, para mudar essa realidade em que muitos pais são distantes da rotina de cuidado dos filhos, deve partir do homem o interesse em assumir o espaço que o pertence. “O cuidado é uma demonstração de amor e carinho, não deve ser uma obrigação, mas sim uma atividade  realizada com entrega e leveza. Dessa forma, todos os que compõem o ambiente familiar acabam sendo beneficiados”, conclui.

Pesquisa – O estudo foi divulgado no início do mês de maio e realizado em 27 países, com 18.800 entrevistados, ao todo. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.

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