sábado, 26 de novembro de 2022

Puxada pelo milho, estimativa de setembro aponta safra recorde de 261,9 milhões de toneladas

Com crescimento de 35,5% no milho 2ª safra, produção está se recuperando de problemas climáticos em 2021 - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 261,9 milhões de toneladas em 2022, de acordo com a estimativa de setembro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje (6) pelo IBGE. O resultado é um novo recorde para a série histórica, iniciada em 1975, e representa aumento de 3,4% ou 8,7 milhões de toneladas em relação a 2021.

“O principal produto que está puxando o resultado recorde é o milho, principalmente o milho 2ª safra, com um crescimento de 35,5% frente ao ano anterior. A produção está se recuperando de problemas climáticos em 2021, como a falta de chuvas. Essa recuperação ajuda a explicar a produção em 2022. Além disso, também houve crescimento de área do milho 2ª safra, incentivado pelos bons preços que os produtores têm conseguido nos últimos anos”, esclarece o gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes.

A estimativa para a safra foi de crescimento em quatro grandes regiões: Centro-Oeste (11,4%), Norte (11,0%), Sudeste (10,8%) e Nordeste (10,3%). No Sul, a previsão é de queda de 14,6%.

Guedes avalia como as condições climáticas exerceram impacto nos resultados divulgados. “A falta de chuvas, causada pelo fenômeno La Niña, impactou mais a região Sul e o Mato Grosso do Sul. Já Goiás e Mato Grosso não foram afetados por problemas climáticos. Com isso, temos a região Centro-Oeste, que é bastante representativa na produção de grãos, com um crescimento de 11,4%”, destaca.

Produção de trigo é recorde

A estimativa da produção do trigo foi de 9,6 milhões de toneladas, declínio de 0,9% em relação ao mês anterior e aumento de 23% em relação a 2021. “O trigo é um produto cuja produção não é autossuficiente. Consumimos em torno de 12 ou 13 milhões de toneladas, portanto, ainda teremos que importa-lo, mas bem menos do que em anos anteriores. Essa produção de 9,6 milhões de toneladas é um recorde para o Brasil. Ucrânia e Rússia são dois grandes exportadores de trigo e, com a guerra, os preços estão elevados. Os produtores, de olho nessa melhora dos preços, aumentaram as áreas aqui no país”, diz o gerente de agricultura.

A estimativa da produção brasileira de café para 2022, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi de 3,1 milhões de toneladas, ou 52,3 milhões de sacas de 60 kg, decréscimo de 2,7% em relação ao mês anterior, e aumento de 6,6% em relação a 2021.

“A produção do café arábica deveria ter crescido mais neste ano em decorrência da bienalidade positiva da safra. Isso não aconteceu, pois ano passado nós tivemos um inverno muito frio, inclusive com ocorrência de geadas nas regiões mais frias de cultivo desse produto. Isso fez com que o potencial de produção da safra de 2022 fosse reduzido”, analisa o gerente da pesquisa, Carlos Barradas.

Principal commodity do país, a produção de soja manteve-se em 119,5 milhões de toneladas, estimativa que representa aumento mensal de 0,6%, contudo, retração de 11,4% em comparação à obtida no ano anterior, com queda de 15,6% no rendimento médio. “Embora a área colhida tenha crescido 4,9%, problemas climáticos derrubaram a produção de soja em 2022”, avalia Barradas.

Centro-Oeste é responsável por quase metade da produção nacional

Entre as grandes regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 129,8 milhões de toneladas (49,6%); Sul, 65,1 milhões de toneladas (24,8%); Sudeste, 27,6 milhões de toneladas (10,6%); Nordeste, 25,4 milhões de toneladas (9,7%) e Norte, 14,0 milhões de toneladas (5,3%).

As principais variações positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram em São Paulo (412 101t), em Rondônia (262 451 t), no Pará (121 327 t), no Rio Grande do Sul (33 720 t), em Minas Gerais (5 812 t), no Espírito Santo (4 084 t), no Rio de Janeiro (3 t) e no Maranhão (3 t). As principais variações negativas ocorreram no Paraná (-610 127 t), no Ceará (-25 081 t), e em Alagoas (-6 504t).

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