quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Saiba tudo sobre a Lucy, missão da NASA que estudará asteroides troianos

No dia 16 de outubro, a NASA irá lançar a sonda Lucy. Ela será parte da primeira missão espacial voltada para o estudo dos troianos, asteroides que são como lembranças físicas da formação do Sistema Solar, sendo também a primeira a estudar tantos deles de uma só vez — a sonda irá visitar 8 asteroides ao longo de sua missão. O lançamento está programado para acontecer às 5h34 (horário de Brasília) com um foguete Atlas V-401, da United Launch Alliance, nas instalações do complexo Cape Canaveral Air Force Station Space Launch Complex 41, na Flórida.

Diferentemente do que acontece em outras missões da NASA, o nome “Lucy” não é uma sigla, mas é igualmente especial. É que a sonda viajará levando o nome de Lucy, o fóssil da australopithecus, ancestral dos humanos, cujo esqueleto proporcionou informações únicas sobre a evolução da nossa espécie. De forma semelhante, a sonda irá também revolucionar nosso conhecimento sobre a formação do Sistema Solar e dos planetas do nosso quintal espacial.

Isso acontecerá com o estudo dos asteroides troianos, objetos que levam o nome das figuras da mitologia grega e que são como “cápsulas do tempo”, remanescentes da formação do Sistema Solar. Eles são o que sobrou do material primordial que deu origem aos planetas externos da nossa vizinhança, viajando pelo espaço em dois grandes grupos: um que fica à frente de Júpiter, e outro logo depois. Ambos estão agrupados em torno de dois pontos de Lagrange, que são pontos de estabilidade gravitacional no espaço.

Essas regiões permitem que as naves espaciais economizem combustível quando precisam ficar em algum lugar específico — e, no caso dos troianos, eles estão estáveis em dois desses pontos, a distâncias iguais entre o Sol e Júpiter. Para visitá-los, a sonda irá seguir um caminho complexo que a levará para os dois grupos, proporcionando aos cientistas um “lugar VIP” para os C-, P- e D-, os três principais tipos de troianos desses grupos.

Os do tipo P- e D- são conhecidos por terem serem avermelhados e escuros, lembrando os corpos do Cinturão de Kuiper, aquele “anel” de objetos gelados que se estende para além da órbita de Netuno. Já os do tipo C- ficam principalmente nas áreas mais externas do Cinturão de Asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Mesmo com essas diferenças, todos os troianos são considerados objetos abundantes em compostos de carbono e provavelmente são ricos em água e outras substâncias voláteis.

Como será a jornada da sonda Lucy

Para estudá-los, a Lucy viajará por quatro anos até o asteroide Donaldjohanson, que fica no Cinturão entre Marte e Júpiter. Durante esse encontro, ela irá sobrevoá-lo para os cientistas verificarem como os instrumentos da nave estão. Depois, seguirá viagem até chegar ao primeiro grupo de troianos em 2027 — esses asteroides ficam no ponto L4, antes do gigante gasoso, e a ideia é fazer uma visita ao troiano Eurybates, orbitado por Queta.

Ainda em 2027, a sonda seguirá para sobrevoar o troiano Polymele e, em 2028, irá encontrar o asteroide Leucus. Depois, a ideia é que ela faça um sobrevoo pela Terra para conseguir assistência gravitacional e, assim, seguir com destino ao outro grupo de troianos — por lá, em 2033, a Lucy encontrará os asteroides Patroclus e Menoetius.

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