sábado, 24 de setembro de 2022

A alta inflação dos preços dos alimentos no mundo

O mês de abril de 2022 mostra a inflação alta em quase todos os países de baixa e média renda. 92,9% dos países de baixa renda, 92,7% dos países de renda média-baixa e 89% dos países de renda média alta tiveram níveis de inflação acima de 5%, com muitos apresentando inflação acima de 2 dígitos. A parcela de países de alta renda com alta inflação também aumentou acentuadamente, com cerca de 83,3% experimentando alta inflação de preços de alimentos.

Os recordes nos preços dos alimentos desencadearam uma crise global que levará outros milhões de pessoas à pobreza extrema, ampliando a fome e a desnutrição. A guerra na Ucrânia, as rupturas na cadeia de suprimentos e as consequências econômicas da pandemia estão revertendo anos de ganhos de desenvolvimento e elevando os preços dos alimentos a níveis recordes. 

A elevação nos preços dos alimentos tem um impacto maior sobre as pessoas em países de baixa e média renda, uma vez que elas gastam uma parcela maior de sua renda em alimentos do que as pessoas em países de alta renda.

Em 11 de ago/22, o Índice de Preços Agrícolas era 1% maior do que há 2 semanas. Os preços do milho e do trigo são 2% mais altos em comparação com jan/22, enquanto os preços do arroz são cerca de 6% mais altos. Na comparação com a média de jan/21, os índices de preços do milho e do trigo são 20% maiores, enquanto o índice de preços do arroz é 16% menor.

De acordo com o Commodity Markets Outlook do Banco Mundial, em abr/22, a guerra na Ucrânia alterou os padrões globais de comércio, produção e consumo de commodities de forma a manter os preços em níveis historicamente altos até o final de 2024, elevando a insegurança alimentar e a inflação. Após o início da guerra na Ucrânia, as políticas comerciais impostas pelos países aumentaram. 

A crise alimentar global foi parcialmente agravada pelo crescente número de restrições ao comércio de alimentos, que foram colocadas em prática pelos países com o objetivo de aumentar a oferta doméstica e reduzir os preços. Em 11 de agosto, pelo menos 23 países implementaram 33 proibições de exportação de alimentos e pelo menos 7 implementaram 11 medidas de limitação de exportação.

Wagner Matos – economista

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