terça-feira, 16 de abril de 2024

Casal de lésbicas sofre ataques após publicar fotos de casamento

A Polícia Civil investiga um novo caso de injúria na internet contra um casal de lésbicas de Miraí, na Zona da Mata mineira. Este é o segundo caso semelhante registrado recentemente na região. O primeiro aconteceu em agosto deste ano quando um casal de Muriaé foi alvo de racismo após publicarem uma foto no Facebook. 

 

Tatiani Arcanjo de Oliveira, de 33 anos, e Lumara Kery Rodrigues, de 22, se casaram no dia 13 de setembro no município e foram alvo de comentários maldosos após terem fotos publicadas em dois perfis diferentes no Facebook – um deles seria uma página de notícias de Muriaé e outro seria uma página intitulada “Sapatômica”.

Em ambos os casos, as noivas foram criticadas pela opção que fizeram e, em alguns comentários, as vítimas chegaram a ser chamadas de “vaca” e usuários afirmaram que Deus não estaria abençoando a relação das mulheres. “Deus não tá nessa união aí não, essa é do encardido”, diz uma das postagens.

 

De acordo com Tatiani, ela e a mulher nunca sofreram preconceito na cidade onde moram, inclusive nas fotos do casamento compartilhadas por elas há vários comentários parabenizando-as pela cerimônia e pela celebração do amor. Mas, após serem alvo de ataques na internet decidiram registrar um Boletim de Ocorrência para que os responsáveis sejam punidos.

— Respeito ao próximo é o mínimo que a gente espera e as pessoas que não aceitam ou não concordam com a nossa união deveriam pelo menos respeitar porque nem aqui na minha cidade, uma cidade pequena e com 14 mil habitantes, eu não sofri isso que está acontecendo na internet.

 

Mas Tatiani não se deixa abalar pelo preconceito e diz que os comentários maldosos servem apenas para fortalecer sua união com Lumara Kery.

 

— Eu acho que ninguém gosta de ouvir coisa ruim porque a vida já se encarrega disso, mas espero sirva de exemplo para as pessoas pensarem antes de dar sua opinião e, com certeza, deixa a gente ainda mais forte e unida.

 

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Thiago Soares Marte, o caso segue em segredo de Justiça. Entretanto, ele informou por meio da assessoria da Polícia Civil que cinco pessoas foram identificadas e serão ouvidas por carta precatória. Se condenadas, essas pessoas podem pegar de um a seis seis meses de prisão ou ter que pagar multa.

Ainda conforme a PC, o caso foi registrado como injúria porque o crime de homofobia ainda não foi tipificado pelo Código Penal Brasileiro. Dessa forma, todos os atos relacionados ao preconceito com gays, lésbicas, homossexuais e transsexuais são enquadrados em outros artigos do Código, conforme cada caso.

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