quinta-feira, 30 de maio de 2024

Lula critica promessa de gestão do candidato à presidência Aécio Neves

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as propostas de governo do candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves. Durante comício em Brasília, Lula afirmou que ninguém gosta de choque, se referindo à promessa do tucano de iniciar o governo com um choque de gestão.

Para um público de 20 mil pessoas, Lula afirmou que o choque prometido por Aécio vai reduzir os salários e acabar com vagas no serviço público. O ex-presidente, que é o maior cabo eleitoral do PT, foi enfático ao dizer que Aécio Neves não pretende governar para os trabalhadores.

— Aqui ninguém gosta de choque. Quando alguém fala em choque de gestão, vocês têm que saber o que significa. Significa arrocho salarial, diminuir os benefícios dos trabalhadores e mandar funcionário público embora. É isso que significa cortar despesa. Eu e vocês já sabemos de que lado a corda vai arrebentar, é do lado do povo trabalhador desse País.

As declarações foram dadas durante ato de campanha do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que tenta a reeleição. A presidente Dilma Rousseff também participaria do evento, mas cancelou na última hora porque está sem voz.

Mesmo sem estar presente, Dilma foi lembrada diversas vezes por Lula. O ex-presidente reafirmou que Dilma é a mais capacitada para dar continuidade aos projetos do PT e, mesmo revelando carinho por Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, disse que política não se faz por amizade.

— Quando eu escolhi a Dilma para ser candidata, eu poderia estar escolhendo muita gente do PT que convivia comigo há mais de 30 anos, mas para escolher alguém para dirigir um barco desse tamanho a gente não escolhe por amizade, a gente escolhe por competência.

 

Denúncias contra o PT

Além de defender a presidente Dilma, Lula também defendeu o partido das recentes acusações de participar de supostos esquemas de corrupção dentro da Petrobras. O ex-presidente contou que chegou a ser aconselhado a não gravar programas eleitorais para televisão com a camisa do PT, porque o partido estava com a imagem arranhada.

Em discurso para animar os militantes, Lula deixou claro seu orgulho pelo PT e afirmou que, no dia em que se envergonhar do partido, vai parar de fazer política.

— O dia que eu tiver vergonha de usar a minha camisa vermelha e a estrela desse partido que eu criei não há nenhuma razão para fazer política. Porque numa família grande como o PT tem gente que comete erros, tem gente que comete abusos, e tem que pagar pelos abusos. A diferença entre nós e eles [oposição], é que no tempo deles eles jogavam para baixo do tapete. Mas a Dilma tirou o tapete da sala, não tem como mais jogar a sujeira para baixo do tapete.

Lula aproveitou para incentivar a militância, afirmando que não é preciso “ter vergonha de andar de cabeça erguida”. Segundo o ex-presidente, o partido fez muito pelo País e os militantes devem se orgulhar disso.

 

Críticas à imprensa

Comparando seu governo ao de presidentes emblemáticos como Getúlio Vargas, João Goulart, Juscelino Kubitschek e até ao do ex-presidente americano Franklin Roosevelt, Lula afirma que é perseguido porque beneficia a população carente do País.

Na avaliação do ex-presidente, nem a mídia nem a elite admitem a ascensão social dos pobres e voltou a afirmar que a imprensa é “o maior partido de oposição” ao governo do PT.

— Este País nunca aceitou que tivesse um governo que priorizasse as camadas mais pobres da população. Nunca aceitou. […] Eles não admitem que seja um ex-metalúrgico que não tem diploma universitário que tenha sido o presidente que mais fez universidade na história desse País. Eles não admitem que uma guerrilheira que aos 20 anos foi torturada possa ser presidente e esteja fazendo uma administração extraordinária, enfrentando uma crise econômica sem precedentes neste século.

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