sábado, 10 de dezembro de 2022

Professora do IEMA Itaqui-Bacanga é finalista em prêmio de educação antirracista, em São Paulo

A professora Jacenilde Cristina, do Instituto Estadual de Educação Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), é uma das finalistas do Prêmio Educar para Equidade Racial e de Gênero, parte do evento Diálogos para uma Educação Antirracista, que acontece hoje, dia 20 de outubro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. 

Promovido pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), o encontro tem o objetivo de fomentar iniciativas pedagógicas antirracistas na rede pública de ensino brasileira. Oficinas de intercâmbio entre educadores, pesquisadores, organizações e lideranças negras também integram a programação.

A educadora maranhense se destacou pelo projeto “Intercâmbio e Cultura: uma análise entre os Quilombos Damásio e Liberdade (MA)”, implantado no IEMA Pleno Itaqui-Bacanga. A ideia é impactar positivamente na autoestima dos estudantes quilombolas da unidade, ao estudar a cultura destas comunidades tradicionais em sala de aula.  “O Instituto se alegra muito com o prêmio de finalista em um encontro dessa magnitude, com um trabalho que é tão importante, não só para a unidade do Itaqui-Bacanga, mas para toda a rede IEMA”, disse o diretor-geral do IEMA, Alex Oliveira. “Nós precisamos ter um debate sério dentro da escola, que nos coloque claramente numa posição antirracista, de modo que possamos combater todas as mazelas do racismo estrutural que persiste ainda no nosso cotidiano”, completou Alex, parabenizando a professora Jacenilde e a todos que ajudam a construir o currículo da instituição. 

Prêmio Educar para Equidade Racial e de Gênero

Os vencedores da 8ª edição do Prêmio Educar com Equidade Racial e de Gênero foram anunciados na noite desta quarta-feira (19). São 16 práticas premiadas nas categorias Professor e Escola, que se destacaram dentre as 700 inscrições das cinco regiões do país. 

Os premiados receberão aporte financeiro, materiais didáticos, formação aos professores e equipamentos para a escola. As práticas finalistas e premiadas serão organizadas em uma publicação de referência em educação antirracista. 

Educação e inovação de mãos dadas

O CEERT, por meio do Prêmio Educar, gera oportunidades de valorização e reconhecimento dos educadores do Brasil, que driblaram as situações adversas e apresentaram propostas inovadoras na educação. 

A qualidade técnica e inovadora dos projetos submetidos às análises do júri do Prêmio Educar de 2022 é avalizada pelo especialista na temática, geógrafo e educador Billy Malachias. 

“Podemos observar que há experiências em todo país que, sem a dependência de verba pública, conseguem implementar a Cultura Afro na sala de aula de forma natural e bem aceita. Esses educadores conseguiram elevar seus projetos ao cenário nacional por meio de metodologias inovadoras e aplicáveis. Os profissionais e gestores da educação básica de todo o país criaram estratégias para oferecer uma educação de qualidade mesmo em condições tão adversas”, avaliou.

O educador reforça que os objetivos do Prêmio Educar 2022 são conhecer melhor esse fazer da gestão escolar, assim como o fazer das práticas pedagógicas antirracistas desenvolvidas durante o período mais agudo de isolamento social, com o objetivo de apoiá-las e difundi-las para que se tornem força inspiradora de novas iniciativas.

20 anos do Prêmio Educar

O Prêmio Educar surgiu em 2002, de forma pioneira, a partir de debates promovidos no CEERT desde 2000, se transformando na atual representatividade que o prêmio tem para o Brasil. A premiação surgiu antes mesmo da implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 que alteram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394/96) para incluir a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura africana, afro-brasileira e indígena, nas escolas de todo o país.

O diretor executivo do CEERT, Daniel Teixeira, reforça que a instituição do Prêmio foi fundamental para a contribuição do CEERT na luta antirracista no Brasil. “O ensino é um lugar de mobilidade social, mas também sempre foi um espaço de reprodução dos preconceitos. Alterar esse cenário é uma responsabilidade de todos nós, principalmente dos educadores e gestores da educação pública”, concluiu.

O CEERT

O Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), organização da sociedade civil, desde a década de 1990, atua nas articulações do movimento social na defesa dos direitos e demandas da população negra, em especial, por uma educação pública com equidade racial e antirracista na infância e juventude, bem como nas lutas das mulheres negras. Em sua trajetória de 32 anos, realizou relevantes intervenções com programas de promoção da equidade racial e de gênero, em instituições públicas e privadas, por meio de projetos nas áreas de trabalho, educação, justiça racial e juventude.

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