sábado, 24 de fevereiro de 2024

Fumantes tem maior risco de desenvolver complicações por Covid-19

Foto: Reprodução

O Dia Mundial de Combate ao Fumo e o Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio) foram criados em 1987 pela Organização Mundial da Saúde para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registrou mais de 31,2 mil novos casos de câncer de pulmão por tabagismo em 2019. O fumo é causa direta de mortes por doenças pulmonares como bronquite
e enfisema, por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), por doença coronariana (angina e infarto) e cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

Segundo o Dr. Carlos Nogueira, pneumologista do Sistema Hapvida, existem vários males que o cigarro pode causar na saúde. “Principalmente, os causados no pulmão e nas vias aéreas, qualquer tipo de fumaça quente que
entra em contato com as vias aéreas causam algum mal, então só pela temperatura da fumaça do cigarro que entra na boca já causa muitos danos, os cílios que são responsáveis pela limpeza do pulmão já param de funcionar na primeira tragada e vão sendo destruídos ao longo da vida do fumante. A longo prazo as substâncias tóxicas do cigarro, como a nicotina, podem causar bronquite, enfisema pulmonar, aumenta o risco de infarto, e acidente vascular cerebral, então fumar não é uma coisa boa”, orienta o médico.

Geralda Oliveira, professora aposentada, de 64 anos, fumou por cerca de 30 anos, só parou de fumar durante a gravidez e parou definitivamente quando o filho, de 9 anos, foi diagnosticado com tuberculose.

“Eu comecei a fumar na adolescência, era legal, todos meus amigos fumavam. Eu sabia dos riscos, mas não achava que algo fosse acontecer comigo, o vício falava mais forte, eu achava que podia parar, dei um tempo durante a
gravidez. Mas a última tragada foi no dia que meu filho estava passando mal e descobri que ele estava com tuberculose, isso mudou a minha vida, percebi que ele era frágil e fumando eu não poderia ficar perto dele, cuidar dele”, conta a professora.

“Hoje eu carrego em mim os males que o cigarro provocou, faço acompanhamento com pneumologista e cardiologista uma vez por ano, meu pulmão ficou comprometido. Quando peguei Covid-19 eu tive muito medo, fiquei mal, mas graças a Deus eu me recuperei, sei que os efeitos do cigarro ajudaram a piorar meu caso” alerta Geralda.

O pneumologista alerta que: “pessoas que fumam e já tem uma doença respiratória como a bronquite, enfisema tem um risco aumentado de ter alguma complicação por Covid-19, vale a pena parar de fumar nesse período de pandemia para prevenir.”

Para realizar ações alusivas ao Dia Mundial de Combate ao Fumo e o Dia Mundial Sem Tabaco, procure sensibilizar e trazer à discussão assuntos diretamente relacionados ao consumo de tabaco entre adolescentes, jovens e adultos, a maioria dos fumantes iniciam no vício por volta de 19 anos.  A conscientização dos males que o cigarro pode causar é a arma mais importante para a prevenção de doenças causadas pelo cigarro.

Como parar de fumar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou hoje a campanha “Comprometa-se a parar de fumar”, visando a promover uma mobilização global para combater o hábito de fumar. Cada país, cada setor da sociedade e instituições ajudam a sensibilizar as pessoas de que fumar faz mal à saúde e que é fundamental deixar o hábito.

Com esse objetivo, a Fundação do Câncer lançou em seu site a cartilha Prática para Parar de Fumar, que orienta a população sobre os malefícios do tabaco. “O que a gente fez foi uma cartilha com algumas dicas para aqueles que fumam, mostrando a importância de parar de fumar e o mal que esse hábito faz à saúde da própria pessoa e dos outros. A OMS fez uma relação de 100 razões para motivar as pessoas a pararem de fumar”, afirmou o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni.

A cartilha deixa claro que o tabagista é um dependente químico. “É um dependente da nicotina, e a gente entende isso como uma doença”, ressaltou o médico. É preciso que o fumante se convença de que precisa de ajuda, se conscientize disso e, depois, tome a decisão de parar. “Não é simples. A gente entende isso pela própria dependência”, afirmou.

Maltoni explicou que a dependência da nicotina ocorre, inclusive, com abstinência. Por isso, é muito importante ter apoio de quem está próximo, da família, dos amigos. Para os dependentes, ele recomendou que não devem ter vergonha mas, ao contrário, precisam exteriorizar a vontade de parar de fumar, porque obterão ajuda.

Mudança de hábitos

Uma das principais recomendações para a pessoa deixar de fumar é a mudança de hábitos, porque existe todo um cenário externo que facilita o hábito de fumar. Tomar um cafezinho após o almoço é um deles. A cartilha ajuda, indicando mudanças. Em vez do café, por exemplo, beber água. “Enfim, fazer alguma coisa diferente daquilo que leva a pensar ou ter vontade de fumar. Criar hábitos saudáveis, como alimentação adequada, exercícios físicos, tomar bastante líquido”, disse o médico.

Luiz Augusto Maltoni destacou também que tanto no sistema privado, quanto no Sistema Único de Saúde (SUS), há orientações sobre locais e gente treinada para ajudar quem quer deixar de fumar. O Disque Saúde atende pelo número 136. De maneira geral, as abordagens iniciais são feitas por profissionais da saúde que conversam, compreendem o grau de dependência do fumante e definem qual o melhor caminho a seguir.

Segundo o médico, o passo inicial costuma ser uma abordagem cognitiva comportamental, sugerindo mudança de hábitos, o que, na maioria das vezes, é feito em grupo. “É interessante, porque se trocam experiências, um ajuda o outro”. Depois, as reuniões vão se espaçando, até que a pessoa consegue parar.

Em alguns casos, é preciso que se acrescente tratamento medicamentoso, que é feito de duas formas: ou pela reposição de nicotina, por meio de adesivos ou de goma de mascar, “e aí vai reduzindo a dose, sempre com orientação médica”, ou ainda com uso de antidepressivo, também disponível no SUS. Maltoni reforçou que o tabagista é um dependente químico e deve ser tratado com o carinho que merece, entendendo que não é simples parar de fumar e que, muitas vezes, as pessoas que tentam parar acabam falhando em uma primeira vez.

“Mas devem insistir, porque a gente sabe que, com o número de tentativas, a pessoa acaba conseguindo, porque vai depender da vontade, do apoio, do grau de dependência que tinha. Mas é possível”. Tomar consciência do mal que o fumo representa também para as pessoas que cercam o fumante é um incentivo. “Procurando ajuda, consegue parar”.

O médico lembrou que, qualquer que seja a forma que tenha, a nicotina é uma substância altamente viciante e, uma vez tragada, em segundos ela atinge o sistema nervoso central e provoca dependência química. “E faz abstinência, como ocorre com o álcool e outras drogas”.

Experiência

De linguagem direta e clara, a cartilha está disponível no site da Fundação do Câncer ou diretamente no link http://app10.cancer.org.br/93/parar-de-fumar. A publicação ajuda o fumante a deixar a dependência do tabaco, que ainda afeta 9,8% da população brasileira. Além disso, contém a ansiedade, esclarece os males que a dependência química da nicotina traz e mostra os benefícios que o indivíduo tem em sua saúde, horas, dias e semanas após deixar o vício.

A cartilha propõe ainda uma reflexão sobre os fatores negativos da dependência do cigarro, entre eles o cheiro forte, o gosto na boca e o fato de o produto causar diversas doenças que podem levar à morte.

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