quarta-feira, 29 de maio de 2024

Três histórias de protagonismo e poder feminino de mulheres que reescreveram suas histórias

O Dia Internacional da Mulher, celebrado dia 8 de março, foi oficializado no ano de 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU) que estabeleceu o Ano Internacional da Mulher para lembrar suas conquistas políticas e sociais. E muitas conquistas femininas podem ser listadas ao longo do tempo, como o direito a frequentar escola, votar e ser votada, se divorciar, praticar futebol, sem falar nas leis Maria da Penha e Feminicídio.

É esse protagonismo de mulheres, nas grandes conquistas, ou no dia a dia, que abre o caminho para as demais conseguirem escrever a sua própria história, colocar foco na equidade e garantir o seu lugar. Desafios? Existem! Mas a mulher já nasce potência, para liderar revoluções diárias, coletivas ou individuais e para inspirar mais mulheres.

É sobre potência, protagonismo e inspiração que três mulheres, cada uma em uma esfera social e política, vão falar aqui.

IRACEMA VALE, PROTAGONISMO POLÍTICO

Se é para falar sobre protagonismo, nada melhor que falar de uma mulher que é um marco para a história política do Maranhão: Iracema Vale. Deputada estadual eleita, é a primeira mulher a assumir a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão após 188 anos de fundação da casa.

Ao longo dos seus 30 anos na vida política, Iracema Vale se diz abençoada por não ter vivenciado nenhuma dificuldade por ser mulher. “Considero-me muito abençoada por ter percorrido esse longo caminho na política sem ter enfrentado problemas dessa natureza. Sei que isso não é o comum. A mulher na política ainda hoje é subestimada, e muitas vezes não conta com o apoio necessário para ocupar seu espaço”, diz.

De acordo com Iracema Vale, a igualdade de oportunidades para liderança e tomadas de decisão na vida política ainda é uma meta a ser alcançada. “Acho que desde o início fui ousada, agarrando minhas oportunidades, lançando-me em desafios, acreditando e trabalhando muito para alcançar resultados que de fato tragam mudanças e benefícios para a vida das pessoas. Sempre mostrei que a política é e deve ser coisa de mulher, sim! E até hoje não me deparei com uma situação que me sugerisse o contrário. Tenho sorte. Mas sei da nossa competência, do nosso olhar diferenciado. Sei que somos grandes líderes e excelentes gestoras. E a democracia precisa da nossa representatividade para se fortalecer ainda mais”, pontua.

Iracema Vale acredita que a presença de mulheres na política proporciona um maior diálogo, um olhar mais abrangente em torno de questões fundamentais e, acima de tudo, um debate mais adequado. “Somos uma parte tão grande da população, nada mais justo do que ter nossa voz ouvida. Nossa visão, nossas ideias também devem ser debatidas como plano de ação. Por que não? Talvez nós articulemos com mais ‘jeitinho’, talvez sejamos mais abertas ao diálogo, talvez tenhamos uma abordagem mais sensível acerca do fazer política. Mas na realidade não se trata apenas de ter um olhar diferente por ser feminino e sim ter um outro ponto de vista que deve ter a oportunidade de ser analisado”, frisa.

Ela destaca que o fato de a Assembleia Legislativa ter uma voz feminina no comando, em quase 200 anos de existência, mostra que está acontecendo uma mudança de mentalidade. “O Maranhão colocou 12 mulheres na Assembleia. É uma vitória para nós! Acredito muito na nossa força e que, por mais difícil que seja a caminhada, devemos sim ousar, superar desafios e buscar ocupar nossos espaços. Sejam eles em qualquer esfera. Todas nós realizamos coisas lindas nas nossas vidas. Vamos nos orgulhar disso e partir para o trabalho em busca do crescimento. Isso é o que podem esperar de mim na ALEMA: muito trabalho, muita vontade de servir ao povo maranhense buscando sempre o melhor para o nosso estado”, finaliza. (SUGESTÃO DE OLHO)

MULHERES NAS ELEIÇÕES

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualmente, as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro. Quando se fala de candidatas eleitas, no Brasil, em 2022, foram 302 mulheres e 1394 homens. Fazendo o recorte Maranhão, os dados do TSE contam que tivemos três deputadas federais eleitas (são 18 vagas); 12 deputadas estaduais eleitas (são 42 vagas). Não houve mulheres eleitas para os cargos de senado.

LÍVIA VIANA, INSPIRANDO MULHERES

Livia Silva Soares Viana, administradora e engenheira civil, tem MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, empresária e é COO (em inglês: Chief Operation Officer – diretor de operações) da startup Ela Faz Tecnologia.

Protagonismo para Lívia é construção. Ela pontua cada momento da sua jornada em palavras-chave. “Orgulho: quanto eu era atleta de natação e tive que me preparar um dia antes para o revezamento em um treino de virada de costas para diminuir o tempo e deu certo. Emoção: quando eu conquistei meu primeiro emprego de carteira assinada no banco Bradesco, após ter entrado na faculdade de economia. Amor: quando nasceram as minhas filhas Ana Clara e Ana Luíza. Libertação: quando eu tive síndrome do pânico e depressão e tive que me libertar de muitas feridas. Segurança: quando me formei em Engenharia Civil. Vencedora: quando conquistamos a ISO 9001, na Predmix. Adrenalina: quando iniciamos a atividade da Ela Faz. Fortaleza: quando meu pai descobriu o câncer e depois minha sogra. Responsabilidade: quando a Ela Faz é reconhecida nacionalmente”, detalha.

Lívia conta que sempre teve consciência de seu potencial. “Eu sempre acreditei que podia tudo, sou muito”, relata. Ela aponta o prêmio Mulher Notável do Empreendedorismo, que recebeu em 2021 da Associação Comercial do Maranhão (ACM), importante para a sua percepção enquanto mulher que inspirou outras mulheres. “Houve momentos difíceis e a partir daí comecei a ressignificar a carreira e estar atenta ao direcionamento de Deus”, conta.

Para as mulheres, ela deixa uma mensagem: “Não coloque suas expectativas em ninguém, foque sua energia naquilo que você pode controlar, acredite nos seus sonhos, esteja atenta aos sinais de Deus na sua vida e lute com muita força e coragem para sua realização pessoal, profissional e missão de vida”, aconselha. (SUGESTÃO DE OLHO)

EMPREENDEDORISMO FEMININO

Um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizado com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), revelam que, no segundo trimestre de 2020, o número de mulheres à frente de um negócio no país fechou o quarto trimestre de 2021 em 10,1 milhões, mesmo resultado registrado no último trimestre de 2019, antes da pandemia.

Os dados mostram que 50% das proprietárias de negócios estão no setor de serviços, enquanto 21% estão no setor de construção.

CARENINA PORTELA GONDINHO, FEMININO POTÊNCIA

Carenina Portela Gondinho, 41, profissional de Educação Física, treinadora de corrida, é gestora da Milhas – Assessoria Esportiva. Ela conta que criou a empresa ao lado do marido e sempre esteve muito à vontade para imprimir a sua identidade ao negócio. Ela confessa que teve muitos desafios, mas não pelo fato de ser mulher, mas pela falta de formação na área de administração.

Carenina relata que uma certa época percebeu que estava pensando como um homem. “Faltava empatia às questões femininas, tais como filhos e menstruação, mas sabia que aquilo não era meu, porém estava arraigado à cultura, porque aprendi que se eu tivesse com TPM, mesmo assim, eu tinha que trabalhar”, relembra.

Com o tempo e a maturidade, ela percebeu que o sucesso não era por conta da força masculinizada. “Quando deixei fluir o meu feminino, naquele ambiente masculino, até o relacionamento profissional com os funcionários melhorou”, diz. (SUGESTÃO DE OLHO) Ela conta ainda que o que a fez mudar foi a gestação das duas filhas. “Entendi que precisava ser mais humana e acolhedora e a maturidade ajudou muito nessa mudança de chave”, revela.

No desenvolvimento de sua função como treinadora de corrida, na empresa Milhas, ela constatou que as mulheres são mais fortes emocionalmente. “A mulher tem sensibilidade diferente, é muito disciplinada e tem empatia uma com a outra. Por mais que ela queira competir com alguém, ela compete junto, não é adversária, sabe que aquela situação é para as duas melhorarem”, assegura.

Carenina lembra que só há 40 anos a mulher foi autorizada a correr na rua e afirma que a corrida é um excelente exemplo da força agregadora da mulher. “Estamos no auge do papel da mulher no esporte, ainda tem dificuldades, não somos a maioria, então vejo a força da mulher de agregar, principalmente em um esporte que é individual ela traz para o coletivo, porque mulheres querem outras mulheres juntas e são mais disciplinadas juntas”, afirma.

Quando o assunto é exemplo, ela diz que sempre se espelhou em atletas femininas. “Hortência e Paula do basquete, Jack e Sandra do vôlei”, diz. Como exemplo internacional ela cita uma mulher que não foi a campeã na competição, mas seu nome ficou marcado na história: a suíça Gabrielle Andersen. “Nos Jogos de Los Angeles, em 1984, foi a primeira vez que a mulher participou de uma maratona. E a cena da Gabrielle chegando cambaleando ficou marcada, aquela cena demonstra o que é corrida de rua, ninguém vai para vencer, mas pelo valor que tem ali. Ela foi um marco e fez história”, diz.

A educadora física já garantiu seu protagonismo no mercado de trabalho e nas ruas, mas ela tem novos desafios. Quer protagonizar online. “A Milhas existe há 15 anos, agora chegou a hora de empreender no digital para fazer com que a corrida de rua seja propagada e as mulheres se sintam poderosas. A corrida é um ótimo meio para despertar o poder da mulher”, afirma.

LINHA DO TEMPO DE CONQUISTAS FEMININAS NO BRASIL

  • 1827 – Meninas são liberadas para frequentarem a escola
  • 1879 – Mulheres conquistam o direito ao acesso às faculdades
  • 1910 – O primeiro partido político feminino é criado
  • 1932 – Mulheres conquistam o direito ao voto
  • 1962 – É criado o Estatuto da Mulher Casada
  • Em 27 de agosto, a Lei nº 4.212/1962 permitiu que mulheres casadas não precisassem mais da autorização do marido para trabalhar.
  • 1974 – Mulheres conquistam o direito de portarem um cartão de crédito
  • 1977 – A Lei do Divórcio é aprovada
  • 1979 – Mulheres garantem o direito à prática do futebol
  • 1985 – É criada a primeira Delegacia da Mulher
  • 1988 – A Constituição Brasileira passa a reconhecer as mulheres como iguais aos homens
  • 2002 – “Falta da virgindade” deixa de ser motivo para anular o casamento
  • 2006 – É sancionada a Lei Maria da Penha
  • 2015 – É aprovada a Lei do Feminicídio
  • 2018 – A importunação sexual feminina passou a ser considerada crime
  • 2021 – É criada lei para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher
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