terça-feira, 29 de novembro de 2022

Uema avança nos estudos sobre esquistossomose

O Laboratório de Parasitologia Humana da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), coordenado pelo professor Nêuton Silva-Souza, está entrando na terceira etapa dos estudos sobre a Esquistossomose no Maranhão.

 

No primeiro semestre, a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) aprovou os projetos do laboratório com foco na esquistossomose, que permitiram a continuidade das pesquisas. A equipe, composta por estudantes e professores, realiza estudos a respeito do tema.

 

“A esquistossomose se manifesta de um modo peculiar, se comparada a outras regiões do país. Em outros estados, o ciclo da doença ocorre entre o homem e o caramujo do gênero Biomphalaria. No Maranhão, a doença tem mais um hospedeiro definitivo, o roedor silvestre do gênero Holochilus.”, explicou Nêuton Silva-Souza.

 

Ciclo de contágio

 

O professor informou que, o ciclo de contágio mais conhecido da doença envolve homem-caramujo e caramujo-homem, no entanto, durante as pesquisas, foi verificada a existência de outro ciclo envolvendo rato-caramujo e caramujo-rato. A área onde facilmente pode ser encontrada esta forma de manifestação da endemia é na Baixada Maranhense. Desta forma, se o homem for contagiado pela doença, através do rato que vive na Baixada Maranhense, principalmente na cidade de São Bento, a manifestação torna-se mais agressiva. Após a descoberta, os pesquisadores passaram a classificar a doença como humana e silvestre, esta última definição por causa do contágio por meio do roedor.

 

Geralmente, as pessoas portadoras da doença vivem em locais sem saneamento básico ou residem próximo de rios, córregos e outros ambientes com água doce. Além disso, têm nível de escolaridade baixo e dificuldade de fazer exames para detecção da doença, enquanto ainda está em estágio inicial.

 

Para ajudar as pessoas que moram em locais com alto índice da doença, projetos foram implementados, a fim de conscientizá-las. “Algumas das atividades que foram feitas durante os projetos foi a produção de cartilhas educativas e também realização de palestras nas escolas e colônias de pescadores”, disse o estudante do 6º período de Biologia, João Gustavo Mendes Rodrigues.

 

João Gustavo teve como campo de estudo a cidade de São Bento para estudar o índice de positividade dos pescadores para doença. “Na minha primeira pesquisa, constatei que os pescadores tinham um índice baixo de contágio pela doença, mas observei que isso aconteceu porque muitos deles se automedicavam”, afirmou.

 

Entre os trabalhos desenvolvidos pela equipe do laboratório, estava o mapeamento dos caramujos transmissores da doença na cidade de São Bento. Em alguns dos projetos atuai, estão sendo feitos testes de resistência dos hospedeiros de São Luís e São Bento no que se refere às variações de pH e salinidade. Até o momento, constatou-se os caramujos da Baixada Maranhense são mais resistentes do que os de São Luís.

 

Também há pesquisas sobre a planta denominada pimenta macaco para avaliar a eficiência no combate a doença nos caramujos. Outro foco é o levantamento das larvas cercárias que podem ser geradas por eles.

 

Já em relação aos roedores do gênero Holochilius, foram realizados testes de glicemia no qual detectaram que os roedores portadores da doença estavam com taxa glicêmica baixa quando comparados aos que não estavam doentes. A comparação somente entre as fêmeas doentes e as saudáveis teve como resultado que a taxa glicêmica quase não alterou.

 

Quanto aos aspectos reprodutivos do roedor, a observação é que ele se reproduz rapidamente, além de ser facilmente infectado pela doença, algo que potencializa o contágio das pessoas também. Ao ser feita a análise sobre as diferenças do contágio entre machos e fêmeas, descobriram que os roedores machos são mais vulneráveis à doença.

 

Atualmente, estão avaliando os fatores abióticos a fim de descobrir se influenciam ou não no processo de contágio dos roedores.

 

Outro aspecto estudado pelos pesquisadores foi a relação entre a proximidade geográfica e a positividade entre os três hospedeiros da esquistossomose (caramujo, roedor e homem), mas foi percebido que  a proximidade não estava associada à infecção.

 

Além dos hospedeiros intermediários caramujo e roedor, os pesquisadores estão estudando a positividade dos moluscos para a esquistossomose e aperfeiçoando a técnica de manutenção de moluscos em laboratório.

 

“Os resultados dos projetos atuais estarão disponíveis no próximo ano, mas a expectativa é ter resultados que possam ajudar no combate à doença”, disse o professor Nêuton Silva-Souza.

 

Esquistossomose

 

A esquistossomose, conhecida como Barriga d’água é disseminada quando indivíduos contaminados liberam ovos do parasito em suas fezes e urina nos rios, córregos ou outros ambientes de águas doces. Na água, as larvas, chamadas de miracídios, procuram hospedeiros intermediários que, geralmente, são caramujos do gênero Biomphalaria para se alojarem.

 

Após esta fase, as larvas, que agora são denominadas cercárias, são liberadas na água e penetram na pele ou mucosa humana (hospedeiro definitivo) quando entram em contato com elas. Isto causa inflamação, coceira e vermelhidão nas áreas de contato. Depois disso, as cercárias se desenvolvem e eliminam ovos pelas veias do fígado e intestino, prejudicando-as.

 

Os sintomas, que podem aparecer cinco semanas após o contato com as larvas, são: vermelhidão e coceira cutâneas, febre, fraqueza, náusea, vômito, constipações intestinais e diarreias. Na fase crônica, o fígado e o baço podem aumentar de tamanho, também ocorrem hemorragias, com liberação de sangue em vômitos e fezes.

 

O exame de fezes é o mais simples para descobrir a doença na fase inicial, também pode ser feito exame da mucosa do intestino ou de sangue. Caso a pessoa esteja doente, é receitado medicamento parasitário, em geral, em dose única.

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