domingo, 21 de abril de 2024

Brasil tem nível de alerta “muito alto” para obesidade, afirma estudo

Nos próximos dez anos, um em cada quatro adultos em todo o mundo será obeso – total que equivale a quase dois bilhões de pessoas. No Brasil, estima-se que 41% dos brasileiros vão passar a conviver com a doença, nesse mesmo prazo. As estatísticas são do Atlas Mundial da Obesidade, elaborado pela Federação Mundial de Obesidade (WOF, na sigla em inglês), que classificou o Brasil como nível de alerta “muito alto”, no que diz respeito a essa condição de saúde.

“A obesidade é um problema de saúde pública com prevalência crescente no mundo e no Brasil”, explica o cardiologista Pablo Germano de Oliveira, da Faculdade de Medicina de Açailândia (IDOMED FAMEAC). “Ela causa mudanças na estrutura e tamanho do coração, comprometendo seu funcionamento. Além disso, aumenta o risco de obstrução das artérias do coração, o que pode levar a complicações graves como infarto e acidente vascular cerebral”, alerta.

Mudar o estilo de vida é a solução mais eficaz para combater a obesidade. A jornalista Suzana Beckman, 38 anos, luta há muitos anos para superar essa condição, e chegou a pesar 107 kg quando decidiu realizar a cirurgia bariátrica. Na época, Suzana enfrentava uma série de desafios relacionados à saúde, incluindo pressão arterial elevada e um colesterol total que ultrapassava 400.

“Eu era obesa grau 3 e sedentária. Ficava cansada até para falar. Mas esta semana eu subi a ladeira da Rua Montanha Russa que fica no Centro Histórico de São Luís, correndo. Nem acreditei!”, comemorou.

A cirurgia bariátrica não só transformou o físico de Suzana, mas também impactou profundamente sua relação com a comida e sua saúde emocional. “A bariátrica mexe muito com o físico, mas também é uma bomba emocional”, explica ela. “Como o estômago está menor e não cabe tudo, eu tenho que escolher o que vou comer. Tem um limite que eu não consigo exceder nem que eu queira, o corpo não aceita. E a gente perde o gosto por certas coisas”, comenta.

Nem só de cirurgia bariátrica, porém, se faz o desafio de superar a obesidade. “A parte mais difícil é que comer direito requer tempo e planejamento, algo que falta na nossa rotina caótica”, admite ela. “Mas eu tento compensar com outras coisas. Hoje eu vou ao karatê cinco vezes por semana, sempre que posso uso uso escada em vez de elevador e como salada todo dia, por exemplo.”

PREVENÇÃO

Dr. Pablo enfatiza a importância de um estilo de vida saudável na prevenção da obesidade. “Evitar alimentos gordurosos e hipercalóricos, preferir alimentos in natura como frutas e verduras, e praticar atividade física regularmente são essenciais”, diz ele.

O especialista explica também que, para enfrentar o excesso de peso de maneira eficaz, é fundamental direcionar o foco para hábitos saudáveis, em vez de se preocupar apenas em perder peso. Isso envolve adotar uma alimentação equilibrada e nutritiva, incorporar a prática regular de atividade física à rotina, cuidar da saúde emocional com apoio e acolhimento adequados e elaborar planos realistas e alcançáveis. “Essas medidas não apenas auxiliam na redução do peso, mas também promovem uma melhor qualidade de vida geral e contribuem para a manutenção de resultados a longo prazo”, conclui.

Suzana, agora, enfrenta o futuro com otimismo e determinação. “A jornada não foi fácil, mas valeu a pena cada esforço”, conclui ela. “Espero que minha história inspire outras pessoas a buscar uma vida mais saudável e feliz”, conclui.

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