quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Coletivo Menina Cidadã realiza ato contra abuso e exploração sexual

O Coletivo Menina Cidadã, liderado por meninas da macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica realizam ato em alusão ao dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, hoje, quarta-feira, 18.

Em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundação Justiça e Paz se Abraçarão (FJPA), a atividade acontece no Viva Cidade Operária a partir das com a presença de artistas locais, revoada de pipas, oficinas de amarração de cabelo e música autoral.

“O dia 18 de maio é um marco na proteção contra as violências contra crianças e adolescentes no Brasil. É importante que toda a sociedade brasileira aprenda quais são os sinais dos diferentes tipos de violência, incluindo a violência sexual. Ao mesmo tempo, é fundamental que os serviços públicos se preparem para atender os casos e prestar a assistência adequada às crianças e adolescentes vítimas e testemunhas de violência. A lei 13.431, ou Lei da Escuta Protegida, veio confirmar para os governos municipais e estaduais como deve ser feita essa preparação dos serviços de forma integrada, evitando a re-vitimização, que ocorre quando a criança ou adolescente tem que contar e recontar inúmeras vezes a situação, em diferentes órgãos, sem que esses órgãos tomem as medidas devidas para proteger sua integridade física e psicológica, e sem proteger sua privacidade. O Coletivo Menina Cidadão, em São Luis, é um parceiro exemplar nessa jornada de mudança dos serviços e na cultura da sociedade para fortalecer a responsabilidade de todos e de cada um em proteger meninos e meninas,” comemora a chefe do escritório do UNICEF em São Luís, Ofélia Silva.

O dia 18 de maio terá ainda o lançamento da música “Menina Cidadã” de autoria do Coletivo em parceria com artistas convidados, como Célia Sampaio, Dira Silva e Gisele Padilha. Para Júlia Nabate, menina líder do Coletivo, o dia pretende ser uma oportunidade de lutar pelos direitos de meninos e meninas e assegurar que todos sejam ouvidos.

“Esse dia ressalta uma pauta que a gente luta diariamente e sabemos que crianças e adolescentes são expostos a diversas formas de violência. Elas, muitas das vezes, relatam o que aconteceu e não são levadas a sério. A gente, como Coletivo Menina Cidadã, investe em rodas de conversas para que essas crianças e adolescentes sejam ouvidas e levadas a sério”, reforça.
“O projeto Menina Cidadão está na sua segunda etapa, em uma parceria com a fundação JPA e UNICEF, envolvendo parceiros da macrorregião da Cidade Operária, especialmente, Cras, Creas, Conselho Tutelar, escolas públicas ligadas às Secretarias Municipais e Estaduais de Educação, o projeto visa atender meninas em idade fértil trazendo temas como saúde menstrual, competências para a vida, violência de gênero e combate ao racismo. Esta é uma oportunidade de fazer com que as meninas do nosso território encontrem o seu lugar dentro da sua comunidade para protagonizar a vida, defendê-la e resgatar valores ancestrais”, lembra o diretor presidente da Fundação Justiça e Paz se Abraçarão, Paulo Sérgio Filho.

Coletivo Menina Cidadã

Meninas afrodescendentes vindas da macrorregião da cidade operária/Cidade Olímpica que debatem suas realidades e buscam assegurar direitos para suas comunidades. Cerca de 250 meninas já participaram do Coletivo e hoje conta com 30 meninas líderes que se dividem entre oficinas, distribuição de absorventes e rodas de conversa sobre saúde menstrual, violência de gênero, racismo e empoderamento feminino.

Carta-demanda e musicalização

A carta-demanda é um instrumento de solicitação de políticas públicas escrito pelo Coletivo Menina Cidadã, demandando os tomadores de decisão nas esferas do poder público para melhorias, reparos e ações concretas na macrorregião da Cidade Operária/Cidade Olímpica. A carta escrita em 2020 teve a participação de centenas de meninas, que realizaram pesquisa nos bairros, escutaram as demandas locais, fizeram treinamento intensivo com a Escola Superior do Ministério Público em defesa de direitos humanos e reuniram essas informações em uma carta. Em 2022, a carta demanda se tornou uma música, gravada pela dama do reggae Maranhense, Célia Sampaio.

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