terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Brasileiro é executado na Indonésia, diz TV local

 

Após passar dez anos no corredor da morte, Rodrigo Gularte, de 42 anos, foi executado nesta terça-feira (28) na Indonésia, segundo informações do jornal local The Jakarta Post. Gularte havia sido preso em 2004 por tentar entrar no país com 6 kg de cocaína. Ele usou oito pranchas de surfe para esconder 12 pacotes da droga.

 

Gularte pediu à família que seja enterrado no Brasil, em uma reunião que os parentes tiveram com o brasileiro na segunda-feira (27), dentro do complexo de prisões de Nusakambangan, em Cilacap. 

 

O brasileiro estava a caminho da ilha de Bali, acompanhado de dois amigos, mas assumiu sozinho a autoria do crime de tráfico internacional de drogas.

 

O Itamaraty chegou a entregar uma carta ao diretor da penitenciária Pssar Putih, na Indonésia, pedindo a transferência de Gularte para um hospital psiquiátrico na cidade de Yogyarta.

 

Diagnosticado com esquizofrenia, o brasileiro podia ter sido poupado do fuzilamento se o laudo, assinado por um médico do serviço público de saúde do país, tivesse sido aceito pela Justiça.

 

Tentativas de ao menos adiar a execução foram feitas também pela Anistia Internacional, mas os planos esbarraram no apoio popular à pena de morte para traficantes entre a população da Indonésia, que é de maioria muçulmana.

 

Como última tentativa de evitar o fuzilamento, advogados de Gularte entraram nesta terça-feira (28) com recurso na Corte Administrativa de Jacarta pedindo a revisão do fato do presidente indonésio, Joko Widodo, ter negado clemência ao brasileiro.

 

Fuzilamento de brasileiros

Em janeiro deste ano, o primeiro brasileiro foi executado no país. Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, também havia sido condenado pelo crime de tráfico de drogas.

 

Após o fuzilamento de Moreira, a presidente Dilma emitiu comunicado se dizendo ‘indignada’ com a execução. Ela convocou o embaixador brasileiro em Jacarta para consultas, uma atitude que é interpretada como um abalo das relações diplomáticas.

 

Segundo levantamento da Anistia Internacional, há 160 pessoas no corredor da morte na Indonésia, dos quais 63 são estrangeiros de 18 países.

 

Além de indonésios e do brasileiro, há condenados da Austrália, China, Estados Unidos, França, Gana, Holanda, Indonésia, Índia, Irã, Malásia, Nepal, Nigéria, Paquistão, Serra Leoa, Tailândia, Vietnã e Zimbábue.

 

As principais condenações foram por homicídio, terrorismo e, no caso dos estrangeiros, quase todas por tráfico de drogas.

 

As execuções por pena de morte, que não eram realizadas desde 2008, voltaram a acontecer no país em 2013, quando cinco condenados foram executados. Em 2014, não houve execuções.

 

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