quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Conflito agrário: invasores espancam mulher e incendeiam casa de líder camponês em Balsas

Foto ilustrativa.

Uma cena de terror aconteceu no assentamento Gado Bravinho, em Balsas, sul do Maranhão. Na noite do último dia 11 de abril, a casa do presidente do assentamento, Raimundo da Silva, foi invadida por três homens desconhecidos. Sua esposa, Ivonete da Silva, foi amarrada, espancada, tiros foram disparados – inclusive, a acertando de raspão – e a casa foi incendiada.

“Ela torceu o pescoço e, também, deram um tiro abeirando a cabeça dela que ela tá surda de um lado. O cabelo tá sapecado de pólvora. Muito tiro, e eles me chamando a todo momento: ‘nós queremos o Raimundo'”, conta o líder camponês.

Os mesmos homens já haviam rondado a casa de Raimundo, na noite de 29 de março, à procura do camponês e armados com uma espingarda e um revolver – de acordo com o Boletim de Ocorrência. Os documentos citam como possíveis mandantes dos crimes Francisca Regina Alencar da Silva e seu esposo, João Vilmar Carvalho de Sousa.

“É um caso gravíssimo, tendo em vista que há o contexto de conflito agrário, representado inclusive por ações judiciais que tramitam na Vara Federal de Balsas movida pelo Incra contra os invasores”, explica o advogado da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (FETAEMA), Diogo Cabral. “É uma situação que merece toda a atenção do estado em razão da selvageria”.

Os dados da FETAEMA apontam Balsas como a cidade com maior concentração de conflitos agrários do Maranhão, com 20 comunidades nesta situação. O advogado destaca também o caso da comunidade de Bom Acerto, cujas “famílias foram violentamente despejadas em plena pandemia e que hoje segue, novamente, ameaçada de despejo”, pontua.

No caso do Assentamento de Gado Bravim, reconhecido pelo INCRA, “essas famílias, que estão há mais de 40 anos vivendo nessa localidade, hoje se encontram em extrema vulnerabilidade”, conta Diogo. “Nós temos, pelo menos, um conjunto de pessoas ameaçadas de morte por conta deste conflito, e é importante e fundamental que a Polícia Civil do Maranhão apure as circunstâncias, identifique os autores e eventuais mandantes”.

– Publicidade –

Outros destaques