Implantação da bilhetagem eletrônica coloca em xeque profissão de cobrador


Luís Carlos/Tv Guará

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros já estuda a implantação da bilhetagem eletrônica e o Bilhete Único como alternativa para diminuir o número de assaltos a coletivos. O sistema de transporte coletivo da cidade inclui, em média, 2.500 funcionários. Com a medida, 250 deles, que atuam como cobradores das chamadas linhas alimentadoras, podem perder o emprego.

De acordo com o Presidente do Sindicato dos Rodoviários, Isaías Castelo Branco, todo o sistema está assustado com a medida, uma vez que são trabalhadores que tem o trabalho de cobrador como única fonte de renda. No entanto, ainda de acordo com o representante da categoria, essa decisão já era esperada. “Na verdade a patronal vem há bastante tempo já querendo reduzir a questão dos cobradores. Tirar, na verdade, cobradores do sistema. Para se ter uma ideia, a contraproposta deles já veio, dentro do processo de negociação, já sem a figura do cobrador. Já veio o reajuste salarial só para o motorista, sem o cobrador. Então, a proposta deles era tirar todos os cobradores do sistema, alegando que o sistema não tem condições de permanecer do jeito que está, que o sistema está falido ”, afirmou Isaías Castelo Branco.

O serviço de bilhetagem eletrônica, sem o profissional cobrador, já foi implantada em outras capitais do Brasil, como Fortaleza e Curitiba, o que para o Sindicato das Empresas de Transporte é uma realidade que São Luís precisa acompanhar, apesar de ainda não ter previsão para que comece a entrar em vigor por aqui. “Essa tendência de automação do recebimento do cartão magnético nos ônibus é uma tendência até relativamente antiga porque várias capitais brasileiras já utilizam e São luís também não pode ficar para trás. Assim como várias áreas da economia também caminham ara a automação, que a gente pode ver no caso dos bancos, no caso dos shoppings e etc. Então, realmente na convenção coletiva de 2019, já consta essa possibilidade das empresas trabalharem com linhas sem a situação do cobrador”, argumentou Luís Cláudio Siqueira, superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte.

A previsão é que antes de ser implantada a medida, os cobradores sejam reaproveitados em outras funções. “Nós temos hoje vários cobradores que já têm habilitação e, esses trabalhadores já vão para o Set/Senat fazer um treinamento para serem aproveitados como motoristas. E os outros vão para os serviços administrativos, em outros cursos que tem, de acordo com aptidão que tem esses trabalhadores, para que o sistema reaproveite. E isso tem que ser discutido, com muita garantia, de que forma esses trabalhadores vão ser reaproveitados, o passo a passo que eles vão ser aproveitados. Que uma coisa nós temos clareza: o sistema não tem como absorver toda essa mão de obra”, declarou Isaías Castelo Branco.

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