sábado, 4 de fevereiro de 2023

Produção do Bitcoin gasta mais energia que muitos países

Pode algo imaterial consumir tanta energia quanto um país inteiro?

É o que algumas pessoas vem afirmando recentemente sobre o bitcoin: o sistema em torno da moeda digital estaria usando mais eletricidade do que uma série de países.

O Reality Check, serviço de checagem de dados e fatos da BBC, foi investigar isso.

O bitcoin existe desde 2009, mas recentemente passou a dominar as manchetes ao redor do mundo com sua enorme valorização. Ao contrário das notas e moedas em seu bolso, ele não é produzido por governos ou bancos e só existe virtualmente.

Cerca de 3,6 mil novos bitcoins são criados todos os dias por um processo complexo conhecido como “mineração”, em que computadores processam equações matemáticas por meio de um programa específico e, em troca, recebem uma recompensa com a moeda.

Milhares de máquinas em todo o planeta trabalham dia e noite com esse objetivo, e isso exige muita eletricidade. E, conforme o valor do bitcoin cresce, mais e mais amadores e profissionais conectam seus computadores a esse sistema para minerar a moeda.

Com isso, aumenta também a curiosidade em torno do gasto de energia envolvido. Redes sociais como o Twitter estão repletas de teorias sobre o assunto.

“Sobre o bitcoin… na verdade, está arruinando o planeta. A rede de computadores do bitcoin usa tanta eletricidade quando a Dinamarca. Em 18 meses, usará o mesmo que os Estados Unidos. Alguém precisa ceder. Isso simplesmente não pode continuar assim”, tuitou Eric Holthaus?, autor de um artigo no site Grist, dedicado temas em torno da sustentabilidade.

“O consumo de energia relacionado à mineração de #bitcoin é enorme e pode não ser sustentável: hoje, supera 30 terawatts por hora (TWh), mais do que a Irlanda”, publicou o executivo Gilles Cochevelou, chefe de operação digital da empresa de petróleo e gás Total, ao lado de link para uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre o assunto.

Custos operacionais

Uma fórmula muito usada para calcular o consumo de energia envolvido nessa atividade é a do blog Digiconomist, baseada na especificações de performance de tecnologias de mineração.

O cálculo usa a receita com a mineração como ponto de partida, estimando o custo operacional da atividade como um percentual dos ganhos financeiros e convertendo esses custos em consumo de energia com base no preço médio da eletricidade. De acordo com esse método, o consumo anual de eletricidade é calculado em 32,56 (TWh). É com base nisso que são feitas as comparações com países.

Segundo dados de 2015 do Eurostat, órgão de estatísticas da Comissão Europeia, a Dinamarca consumiu 30,7 TWh, e a Irlanda, 25,07 TWh. Então, por esses parâmetros, sim, as comparações que vem sendo feitas no Twitter estão corretas em linhas gerais.

Sendo assim, esse valor seria 7% de todo o gasto anual no Brasil, que foi de 460 TWh em 2016, segundo o Ministério de Minas e Energia.

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