quarta-feira, 25 março, 2020
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As contradições do Governador

O Governador do Estado de São Paulo concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira, 25, juntamente com os Secretários de Saúde e da Fazenda de seu Estado e o prefeito de São Paulo.

Ao contrário da objetividade das informações prestadas pelo prefeito, o Governador usou todas as oportunidades para fazer campanha política. Nem se apercebeu de suas contradições.

Primeiramente o Governador, com pose de arauto do equilíbrio e da harmonia, informou que na reunião de governadores com o Presidente da República, teria manifestado educadamente sua discordância com a posição do Presidente e, como um verdadeiro pastor, fez-lhe recomendações, advertindo-o para que priorizasse a vida, em vez da economia; que não é hora de fazer política, mas de união e solidariedade para combater o novo coronavírus. Recomendou até uma reflexão de texto que atribuiu à Irmã Dulce. No entanto, ao contrário do seu discurso, usou todas as perguntas para, em sua resposta, atacar o Presidente, cujo discurso estaria em desacordo às orientações de seu próprio Ministério da Saúde.

Não interessa aqui entrar no mérito da polêmica, mas apenas evidenciar como o Governador está tentando desviar o foco do combate que ele mesmo diz ser prioritário, para polemizar com o Presidente da República, apesar de elogiar e reconhecer o trabalho que o Ministro da Saúde vem fazendo.

Se houvesse honestidade – e não interesse eleitoreiro – no discurso do Governador, ele manteria seu discurso de união. Mas não o fez. Foi só preâmbulo. Fachada. O resto foi ataque ao Presidente, ao que este teria dito, não ao que seu Ministério está fazendo. Então, o Governador não quer união. Quer mesmo é polêmica. Não está preocupado com a vida de ninguém. Está apenas usando um discurso para fazer campanha política.

Sua falsidade e seu egoísmo se evidenciaram quando disse que se o Ministério da Saúde confiscasse equipamentos necessários ao coronavírus, como teria sido anunciado pelo Ministério da Saúde, ele entraria na Justiça para impedir, para garantir essa reserva para São Paulo, onde há um maior número de contaminados. Como se estivesse num palanque, destacou os mais de seis milhões de (votos) idosos paulistas.

Ou seja, o mesmo que prega a união e a solidariedade, não quer que o resto da população tenha acesso aos equipamentos necessários ao combate ao coronavírus. Somente a população de São Paulo, onde estão as fábricas que produzem os equipamentos.

O que será que a Irmã Dulce diria para o Governador, que quer manter um estoque de equipamentos para atender os paulistas, enquanto baianos e brasileiros de outros estados estão precisando desses equipamentos?

Na verdade, em que pese o reconhecimento de que o Ministério da Saúde está fazendo a sua parte, corretamente, os oportunistas que vem tentando desestabilizar o Presidente, cujos erros – como mais uma vez confirmou o Governador -, seriam apenas as palavras que usa, escondem, nos ataques que fazem, o verdadeiro objetivo: restaurar seus esquemas de corrupção.

O discurso do Governador, portanto, não foi de união e muito menos de solidariedade. Foi desperdiçado em campanha política fora do horário eleitoral.

* Advogado e jornalista

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