quarta-feira, 12 de maio de 2021

Quase meio século depois: O Imparcial e eu

Quase meio século depois: O Imparcial e eu

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Em outubro deste ano, fará 50 anos que iniciei minha jornada profissional como jornalista em O Imparcial, o aniversariante de hoje, que completa 95 anos.

Recém-chegado ao Maranhão, nunca pisara antes numa redação de jornal. A maior intimidade que tinha com a profissão era o folhear das páginas do Correio do Ceará, de O Povo, do Unitário, jornais que circulavam em Fortaleza ou o vislumbrar das rotativas de O Povo, que ainda funcionava em sua antiga sede na rua Senador Pompeu, no Centro Velho da capital cearense, e que tinha uma enorme vitrine pela qual, quem passava pela rua, olhava a oficina gráfica do matutino.

Creio ter sido a primeira pessoa a ser admitida num jornal maranhense em uma espécie de concurso. Sabedor que O Imparcial ficara sem um dos seus revisores, dirigi-me ao vetusto prédio da rua Afonso Pena para me candidatar à vaga. Fui recebido pelo já falecido Raimundo de Carvalho Melo, o professor Melo, que me disse que seria admitido quem pontuasse melhor num teste que seria aplicado entre seis concorrentes desejosos de ser um dos revisores da empresa.

Esse episódio, que decidiria meu futuro profissional, devo-o a O Imparcial. Em poucos meses, saí da revisão para ir para a redação. A promoção se deveu a uma das muitas reformulações pelas quais o jornal passou e que, com a contratação de um novo editor, buscava-se fazer um produto editorial com feições mais próximas do que se fazia em outras capitais do Brasil. O Imparcial de então quase não tinha repórteres, era feito por redatores, editorialistas, poetas (havia muitas poesias publicadas nas edições diárias) e por um ou outro repórter, geralmente da área policial.

Os redatores transformavam em notícias as informações das poucas assessorias de comunicação que haviam então, ou entrevistavam empresários, políticos e outras autoridades que procuravam a redação de forma espontânea. Os editorialistas escreviam artigos de opinião, expressando o que pensavam ou verbalizando a opinião “do jornal”. Lembro dessa Velha Guarda, composta por nomes como Luís Lílio, Baptista Lopes, Alfredo Galvão, entre os redatores, e João Lima Sobrinho e Vera Cruz Santana, entre os editorialistas.

O futuro estava à vista, mas ainda não existia. Explico: a Universidade Federal do Maranhão abrira o primeiro curso de Comunicação, em 1970, mas ainda não formara a primeira turma. Dessa forma, os jornalistas existentes eram os chamados provisionados, sem formação superior, mas com registro reconhecido pelo então Ministério do Trabalho.

Fui de repórter a editor, depois editor-chefe. Trabalhei como correspondente dos principais jornais do País, da revista Veja e de jornais da chamada imprensa alternativa como Opinião, Movimento e Tribuna Operária. Ajudei a tirar os conflitos agrários da página de polícia e colocá-los na página de movimentos sociais. Saí e voltei a O Imparcial umas cinco ou seis vezes, sempre me sentindo em casa e como filho da casa. Coordenei diversas edições comemorativas do aniversário do jornal em anos redondos (50, 60, 70 anos).

O velho casarão da rua Afonso Pena jaz abandonado. O prédio alugado na avenida Castelo Branco já passou a outros inquilinos. O prédio modernoso entre o Tropical Shopping e o Mateus do Renascença passa a maior parte de seus dias em um silêncio só quebrado pelas máquinas impressoras que funcionam em uma parte ínfima da noite. Hoje, a redação e a administração se abrigam em salas hi-tech na Ponta D’Areia, mas a “nova guarda” dos anos 70 ainda ajuda a empresa a se manter viva: Pedro Freire, Raimundo Borges, Douglas Cunha, Neres Pinto, entre outros. Alguns, ficaram no caminho. Outros gozam de merecida aposentadoria como meu amigo José Ribamar Gomes, o Gojoba.

A velocidade imposta pelas novas tecnologias torna difícil divisar como será O Imparcial daqui a 95 anos, mas de uma coisa tenho certeza: a comunicação social continuará a fazer parte da vida humana e os grandes comunicadores do futuro continuarão a plasmar um mundo mais justo, mais digno, mais igualitário, mais fraterno.

Parabéns a O Imparcial e a todos que o fazem.

Foto; casarão da rua Afonso Pena, onde funcionou O Imparcial

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